Síndrome de Guillain-Barré: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento da doença imunomediada

A fraqueza muscular que surge de forma repentina, acompanhada de formigamentos e dificuldade para caminhar, pode ser um sinal de alerta para uma condição neurológica rara: a Síndrome de Guillain-Barré.

Embora incomum, essa doença exige diagnóstico e tratamento rápidos, pois pode evoluir em poucos dias e comprometer até mesmo a respiração.

Síndrome de Guillain-Barré - Rede Genoma Nordeste
Síndrome de Guillain-Barré – Rede Genoma Nordeste (Imagem: Reprodução Web)

A Síndrome Guillain-Barré ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar os nervos periféricos, prejudicando a transmissão dos impulsos nervosos entre o cérebro, a medula espinhal e os músculos. Na maioria dos casos, o problema aparece após uma infecção respiratória ou gastrointestinal, mas também pode estar associado a outros gatilhos.

Apesar de ser uma doença considerada rara, a síndrome pode afetar pessoas de qualquer idade e, quando tratada precocemente, apresenta boas chances de recuperação.

A Síndrome de Guillain-Barré ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar os próprios nervos, geralmente após uma infecção. Por esse mecanismo, muitas vezes é considerada uma doença autoimune, embora as diretrizes atuais prefiram classificá-la como uma doença imunomediada.

O que é a Síndrome de Guillain-Barré?

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma doença neurológica inflamatória rara que provoca lesão nos nervos periféricos responsáveis por transmitir informações entre o sistema nervoso central e o restante do corpo.

Quando esses nervos são afetados, a comunicação entre cérebro e músculos fica comprometida, causando sintomas como:

  • Fraqueza muscular progressiva;
  • Dormência e formigamento;
  • Perda dos reflexos;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Alterações na sensibilidade;
  • Dificuldade para respirar nos casos mais graves.

Na maioria dos pacientes, os sintomas evoluem rapidamente ao longo de dias ou semanas, tornando a síndrome uma emergência neurológica.

Segundo o Ministério da Saúde, a incidência estimada é de aproximadamente 1 a 2 casos para cada 100 mil habitantes por ano, podendo ocorrer em qualquer faixa etária, embora seja mais frequente em adultos e idosos.

O que pode causar a Síndrome de Guillain-Barré?

Na maioria das vezes, a Síndrome Guillain-Barré surge após uma infecção.

Isso acontece porque, durante o combate a determinados vírus ou bactérias, o sistema imunológico produz anticorpos para eliminar o agente infeccioso.

Em algumas pessoas, esses anticorpos passam a reconhecer estruturas presentes na bainha de mielina ou no próprio nervo periférico, desencadeando uma reação inflamatória.

Esse mecanismo é conhecido como mimetismo molecular.

Entre os principais gatilhos estão:

  • Infecção por Campylobacter jejuni;
  • Influenza (gripe);
  • COVID-19;
  • Citomegalovírus (CMV);
  • Vírus Epstein-Barr (EBV);
  • Vírus Zika;
  • Mycoplasma pneumoniae;
  • Cirurgias recentes;
  • Infecções respiratórias;
  • Gastroenterites.

É importante destacar que nem toda pessoa que apresenta essas infecções desenvolverá a síndrome. Trata-se de uma complicação rara que depende de fatores imunológicos ainda não totalmente compreendidos.

Outro ponto importante é que a síndrome não é contagiosa. O que pode ser transmitido é a infecção que desencadeou a resposta imunológica.

Qual bactéria causa Guillain-Barré?

A bactéria mais frequentemente associada à Síndrome de Guillain-Barré é a Campylobacter jejuni, considerada uma das principais causas de gastroenterite bacteriana em todo o mundo.

A infecção costuma provocar:

  • Diarreia;
  • Dor abdominal;
  • Febre;
  • Náuseas;
  • Vômitos.

Após alguns dias ou semanas da melhora desses sintomas, uma pequena parcela das pessoas pode desenvolver a síndrome.

É importante esclarecer que a bactéria não provoca diretamente a doença neurológica. O que acontece é que a resposta imunológica desencadeada pela infecção pode atacar os nervos periféricos por engano.

A infecção por Campylobacter jejuni está frequentemente relacionada ao consumo de alimentos contaminados, especialmente carnes de aves cruas ou mal cozidas, leite não pasteurizado e água contaminada.

Sintomas da Síndrome de Guillain-Barré

Os sintomas geralmente aparecem entre uma e quatro semanas após uma infecção. Na maioria dos casos, a doença começa de forma discreta e evolui rapidamente.

Os primeiros sinais costumam incluir:

  • Formigamento nas mãos e nos pés;
  • Dormência;
  • Sensação de fraqueza nas pernas;
  • Dificuldade para subir escadas;
  • Instabilidade ao caminhar.

Com a progressão da doença, a fraqueza muscular pode subir pelo corpo, atingindo braços, tronco, pescoço e músculos responsáveis pela respiração.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Fraqueza muscular progressiva;
  • Perda ou redução dos reflexos;
  • Dores musculares;
  • Dor nas costas;
  • Dificuldade para levantar objetos;
  • Alterações na coordenação motora;
  • Dificuldade para engolir;
  • Dificuldade para falar;
  • Visão dupla em alguns pacientes;
  • Alterações da pressão arterial;
  • Aceleração ou lentidão dos batimentos cardíacos.

Nos casos mais graves, a inflamação compromete os músculos respiratórios, tornando necessária a internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e, eventualmente, o uso de ventilação mecânica.

Por isso, qualquer fraqueza muscular que progrida rapidamente deve ser avaliada imediatamente por um serviço de emergência.

Qual exame detecta a Síndrome Guillain-Barré?

O diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré é essencialmente clínico, ou seja, baseia-se na avaliação dos sintomas, no histórico do paciente e no exame neurológico realizado pelo médico.

Como a doença pode evoluir rapidamente, o reconhecimento precoce é fundamental para iniciar o tratamento e reduzir o risco de complicações.

Além da avaliação clínica, alguns exames ajudam a confirmar o diagnóstico e a descartar outras doenças que apresentam sintomas semelhantes.

Exame neurológico

O neurologista avalia principalmente:

  • Força muscular;
  • Reflexos dos membros;
  • Sensibilidade;
  • Equilíbrio e coordenação motora;
  • Comprometimento dos nervos cranianos;
  • Sinais de dificuldade respiratória.

Um dos achados mais característicos da síndrome é a diminuição ou ausência dos reflexos tendinosos, associada à fraqueza muscular progressiva.

Reflexos tendinosos são respostas automáticas e involuntárias dos músculos quando um tendão é estimulado, geralmente com uma pequena batida feita pelo médico durante o exame físico.

Eletroneuromiografia (ENMG)

A eletroneuromiografia é um dos principais exames utilizados para confirmar a doença. Ela avalia como os impulsos elétricos percorrem os nervos e identifica alterações compatíveis com lesão da mielina ou do próprio nervo.

Embora seja bastante útil, o exame pode apresentar resultados normais nos primeiros dias da doença, sendo, às vezes, necessário repeti-lo posteriormente.

Punção lombar

Outro exame frequentemente solicitado é a punção lombar, utilizada para analisar o líquido cefalorraquidiano (LCR).

Na maioria dos pacientes com Guillain-Barré, observa-se um aumento da concentração de proteínas no líquor, enquanto a quantidade de células permanece normal ou pouco alterada. Esse achado é conhecido como dissociação albuminocitológica e reforça o diagnóstico, embora nem sempre esteja presente na fase inicial da doença.

Outros exames

Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames complementares para investigar a infecção que desencadeou a síndrome ou excluir outras causas de fraqueza muscular.

Entre eles estão:

  • Exames de sangue;
  • Testes para infecções virais ou bacterianas;
  • Exames de imagem, como ressonância magnética, quando necessário para diagnóstico diferencial;
  • Avaliação da função respiratória.

Como a Síndrome de Guillain-Barré pode evoluir rapidamente, muitos pacientes permanecem internados para monitoramento contínuo, mesmo antes da confirmação definitiva dos exames.

A Guillain-Barré é reversível?

Sim. Na maioria dos casos, a Síndrome de Guillain-Barré é reversível, principalmente quando o tratamento é iniciado precocemente.

Após a fase de piora dos sintomas, ocorre um período de estabilização e, em seguida, inicia-se a recuperação gradual dos nervos periféricos. Esse processo acontece porque a inflamação diminui e as estruturas nervosas conseguem se regenerar parcialmente ao longo do tempo.

Estudos mostram que aproximadamente 70% a 80% dos pacientes recuperam a capacidade de caminhar de forma independente após um período de reabilitação, embora o tempo de recuperação varie bastante entre os casos.

Entretanto, nem todos os pacientes voltam exatamente às condições anteriores à doença. Algumas pessoas podem permanecer com:

  • Fadiga persistente;
  • Fraqueza muscular residual;
  • Alterações no equilíbrio.

Em situações mais graves, especialmente quando houve comprometimento importante dos nervos ou necessidade de ventilação mecânica, a recuperação pode ser mais lenta e algumas sequelas podem permanecer.

Por isso, além do tratamento hospitalar, a reabilitação é considerada uma etapa essencial do cuidado.

Tratamento da síndrome de Guillain-Barré

A Síndrome de Guillain-Barré é considerada uma emergência neurológica e, por isso, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, preferencialmente em ambiente hospitalar.

O principal objetivo é interromper a resposta imunológica que está atacando os nervos periféricos, reduzir a progressão da doença e prevenir complicações, como insuficiência respiratória e alterações cardiovasculares.

Além das terapias específicas, muitos pacientes precisam de monitoramento contínuo, principalmente nas primeiras semanas, período em que a doença costuma atingir sua maior intensidade.

Imunoglobulina intravenosa (IgIV)

A imunoglobulina intravenosa é um dos tratamentos mais utilizados para a Síndrome de Guillain-Barré.

Ela consiste na administração de anticorpos obtidos a partir do plasma de doadores saudáveis. Esses anticorpos ajudam a modular a resposta do sistema imunológico, reduzindo o ataque aos nervos periféricos.

Quando iniciada nas primeiras duas semanas após o início dos sintomas, a IgIV pode acelerar a recuperação e diminuir a gravidade da doença.

Anticorpo: é uma proteína produzida pelo sistema imunológico para reconhecer e ajudar a combater substâncias estranhas ao organismo, como vírus, bactérias ou toxinas. Alguns anticorpos também podem atacar estruturas do próprio corpo em doenças autoimunes.

Plasma: é a parte líquida do sangue, na qual ficam circulando células sanguíneas, proteínas, nutrientes, hormônios e outras substâncias. Os anticorpos estão presentes no plasma.

Plasmaférese

Outra opção terapêutica é a plasmaférese, também conhecida como troca de plasma.

Nesse procedimento, parte do plasma do paciente é removida e substituída por soluções específicas. O objetivo é eliminar anticorpos e outras substâncias inflamatórias que estão contribuindo para a lesão dos nervos.

A plasmaférese apresenta eficácia semelhante à imunoglobulina intravenosa, e a escolha entre os tratamentos depende da avaliação médica, da disponibilidade e das características clínicas de cada paciente.

Como o SUS trata a Síndrome de Guillain-Barré?

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento para pacientes com Síndrome de Guillain-Barré por meio do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.

O documento reúne recomendações baseadas em evidências científicas para orientar o diagnóstico, o tratamento, o acompanhamento e a reabilitação dos pacientes.

Entre os tratamentos disponibilizados pelo SUS estão:

  • Imunoglobulina intravenosa (IgIV);
  • Plasmaférese;
  • Acompanhamento multiprofissional;
  • Fisioterapia e reabilitação, quando indicadas.

A definição da melhor estratégia terapêutica deve ser feita pelo médico, considerando o estágio da doença, a evolução clínica e as necessidades individuais de cada paciente.

Tratamento de suporte

Além das terapias imunológicas, muitos pacientes necessitam de cuidados de suporte, como:

  • Monitoramento da função respiratória;
  • Ventilação mecânica, quando necessária;
  • Controle da dor;
  • Prevenção de trombose;
  • Suporte nutricional;
  • Fisioterapia motora;
  • Fisioterapia respiratória;
  • Terapia ocupacional;
  • Acompanhamento psicológico.

Vale destacar que os corticoides não são recomendados como tratamento isolado da Síndrome de Guillain-Barré, pois estudos demonstraram que eles não oferecem benefício significativo na recuperação da doença.

Quanto tempo dura a síndrome?

A evolução da Síndrome de Guillain-Barré costuma ocorrer em três fases.

Fase de progressão

É o período em que os sintomas pioram progressivamente, geralmente ao longo de duas a quatro semanas.

Fase de estabilização

Após atingir o pico da doença, os sintomas permanecem estáveis por alguns dias ou semanas.

Fase de recuperação

A recuperação acontece lentamente e pode durar meses ou até anos, dependendo da gravidade do quadro.

Em muitos pacientes, a melhora começa poucas semanas após o início do tratamento, mas a recuperação completa da força muscular pode levar entre 6 e 12 meses. Casos mais graves podem exigir um período ainda maior de reabilitação.

Sequelas da Guillain-Barré

Embora a maioria dos pacientes apresente boa recuperação, algumas sequelas podem persistir, especialmente nos casos mais graves.

As principais incluem:

  • Fadiga crônica;
  • Fraqueza muscular residual;
  • Dor neuropática;
  • Perda parcial da sensibilidade;
  • Dificuldade para caminhar longas distâncias;
  • Alterações do equilíbrio;
  • Limitação funcional em atividades do dia a dia.

Pacientes que necessitaram de ventilação mecânica ou permaneceram internados por longos períodos podem precisar de um tempo maior de fisioterapia para recuperar a mobilidade.

Apesar dessas possíveis sequelas, estudos mostram que grande parte dos pacientes recupera sua independência funcional ao longo do processo de reabilitação, reforçando a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do acompanhamento multidisciplinar.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica