A acromegalia é uma doença rara causada pela produção excessiva do hormônio do crescimento (GH), geralmente em consequência de um adenoma hipofisário, um tumor benigno localizado na hipófise. Esse excesso hormonal faz com que diferentes partes do corpo cresçam de forma gradual, especialmente mãos, pés e estruturas da face.
Por apresentar evolução lenta, os primeiros sinais costumam passar despercebidos por muitos anos. Em média, o diagnóstico pode demorar entre cinco e dez anos após o início dos sintomas, aumentando o risco de complicações cardiovasculares, respiratórias e metabólicas.
Embora seja uma doença crônica, os avanços no diagnóstico e no tratamento permitem controlar os níveis hormonais e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

O que é acromegalia?
A acromegalia é uma doença endócrina caracterizada pela produção excessiva do hormônio do crescimento (GH) após o término do crescimento ósseo, ou seja, na vida adulta.
O GH é produzido pela hipófise, uma pequena glândula localizada na base do cérebro que controla diversas funções hormonais do organismo.
Quando há produção excessiva desse hormônio, o fígado passa a produzir maiores quantidades do IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1), responsável por grande parte das alterações observadas na doença.
Como consequência, ocorre crescimento progressivo dos ossos das extremidades, aumento dos tecidos moles e alterações em diferentes órgãos do corpo.
Por evoluir lentamente, muitas pessoas só percebem as mudanças ao comparar fotografias antigas ou notar que anéis, alianças, calçados e chapéus deixaram de servir.
Qual a causa da acromegalia?
Em aproximadamente 95% dos casos, a acromegalia é causada por um adenoma hipofisário produtor de hormônio do crescimento.
Apesar da palavra “tumor” causar preocupação, trata-se, na grande maioria das vezes, de uma lesão benigna, que não se espalha para outros órgãos. Ainda assim, ela pode crescer progressivamente e comprimir estruturas próximas, além de estimular a produção exagerada de GH.
Mais raramente, a doença pode estar relacionada à produção anormal de hormônios por tumores localizados em outras partes do organismo.
Acromegalia é genética?
Na maioria das pessoas, não.
A maior parte dos casos ocorre de forma esporádica, sem histórico familiar.
Entretanto, uma pequena parcela dos pacientes apresenta síndromes genéticas hereditárias associadas ao desenvolvimento de tumores da hipófise, como:
- Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1 (MEN1);
- Complexo de Carney;
- Mutações no gene AIP;
- Síndrome de McCune-Albright (mais rara).
Nessas situações, o médico pode indicar teste genético e aconselhamento para outros membros da família.
Essa investigação é especialmente importante quando a doença surge em pessoas jovens ou quando há histórico familiar de tumores endócrinos.
Acromegalia é uma doença rara?
Sim. A acromegalia é considerada uma doença rara.
Estima-se que sua incidência seja de aproximadamente 3 a 4 novos casos por milhão de habitantes ao ano, enquanto a prevalência varia entre 40 e 130 pessoas por milhão, dependendo da população estudada.
Apesar de incomum, especialistas acreditam que muitos casos ainda permanecem sem diagnóstico devido à evolução lenta dos sintomas.
Por isso, reconhecer os sinais precocemente é fundamental para evitar complicações e iniciar o tratamento o quanto antes.
Sintomas da acromegalia
Os sintomas costumam surgir lentamente e se tornam mais evidentes ao longo dos anos.
Os principais sinais incluem:
- Aumento das mãos e dos pés;
- Crescimento do nariz, lábios e mandíbula;
- Espaçamento entre os dentes;
- Pele mais espessa e oleosa;
- Suor excessivo;
- Dores de cabeça frequentes;
- Dores articulares;
- Formigamentos nas mãos (síndrome do túnel do carpo);
- Voz mais grave;
- Roncos intensos e apneia do sono;
- Fadiga;
- Alterações na visão, quando o tumor comprime estruturas próximas.
Além das alterações físicas, a doença pode aumentar o risco de desenvolver:
- Hipertensão arterial;
- Diabetes mellitus;
- Doenças cardiovasculares;
- Aumento do coração (cardiomiopatia);
- Pólipos intestinais;
- Alterações respiratórias.
Quando suspeitar de acromegalia?
A suspeita costuma surgir quando uma pessoa apresenta mudanças graduais na aparência, como aumento do número do sapato, dificuldade para usar alianças antigas, alterações faciais progressivas ou crescimento da mandíbula.
Essas mudanças podem ocorrer ao longo de vários anos, razão pela qual familiares e amigos costumam perceber as alterações antes do próprio paciente.
Acromegalia, gigantismo e nanismo: qual a diferença?
Embora estejam relacionados ao hormônio do crescimento, esses três termos representam condições diferentes.
| Condição | O que acontece |
|---|---|
| Acromegalia | O excesso de GH ocorre após o fim do crescimento ósseo, na vida adulta. Há aumento das extremidades, da face e dos tecidos moles. |
| Gigantismo | O excesso de GH acontece ainda na infância ou adolescência, antes do fechamento das cartilagens de crescimento, levando ao aumento exagerado da altura. |
| Nanismo | Na maioria dos casos, é causado por alterações genéticas (como a acondroplasia) ou por deficiência do hormônio do crescimento, resultando em baixa estatura. |
Embora gigantismo e acromegalia tenham a mesma causa hormonal (o excesso de GH), a idade em que esse excesso ocorre determina as manifestações da doença.
Diagnóstico
O diagnóstico combina avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem.
Quando existe suspeita da doença, o endocrinologista geralmente solicita:
- Dosagem do IGF-1, principal exame de triagem;
- Teste de supressão do hormônio do crescimento com glicose, considerado um dos exames confirmatórios;
- Ressonância magnética da hipófise para identificar a presença de adenoma;
- Exames complementares para avaliar possíveis complicações cardíacas, respiratórias e metabólicas.
Após a confirmação, também podem ser indicadas avaliações oftalmológicas, cardiológicas e outros exames para definir o melhor plano terapêutico.
Tratamento da acromegalia
O tratamento da acromegalia tem como principais objetivos normalizar os níveis do hormônio do crescimento (GH) e do IGF-1, controlar o crescimento do tumor, aliviar os sintomas e reduzir o risco de complicações.
A escolha da melhor abordagem depende do tamanho do adenoma, da idade do paciente, do estado geral de saúde e da resposta ao tratamento.
As principais opções incluem cirurgia, medicamentos e, em alguns casos, radioterapia.
Cirurgia de acromegalia
Na maioria dos pacientes, a cirurgia é o tratamento de primeira escolha, principalmente quando o tumor pode ser removido com segurança.
O procedimento mais utilizado é a cirurgia transesfenoidal, realizada por via nasal, sem necessidade de abrir o crânio. Essa técnica permite acessar a hipófise de forma menos invasiva, reduzindo o tempo de recuperação e o risco de complicações.
Quando a remoção do tumor é completa, muitos pacientes apresentam normalização dos níveis hormonais. No entanto, dependendo do tamanho ou da localização do adenoma, pode permanecer uma pequena parte do tumor, tornando necessário tratamento complementar.
Tratamento medicamentoso
Quando a cirurgia não é possível, não elimina totalmente o tumor ou não controla adequadamente os hormônios, o endocrinologista pode indicar medicamentos.
Esses medicamentos podem ser utilizados isoladamente ou em associação, conforme a resposta de cada paciente.
Radioterapia
A radioterapia costuma ser reservada para situações em que a cirurgia e os medicamentos não conseguem controlar completamente a doença.
Seu efeito é gradual e pode levar alguns anos para reduzir os níveis hormonais, motivo pelo qual normalmente é considerada uma opção complementar.
A acromegalia tem cura?
A resposta depende da causa da doença e da resposta ao tratamento.
Em muitos casos, principalmente quando o adenoma é pequeno e pode ser removido completamente por cirurgia, é possível alcançar a remissão da doença, com normalização dos hormônios e controle dos sintomas.
Entretanto, alguns pacientes precisam de acompanhamento contínuo e uso prolongado de medicamentos para manter os níveis hormonais controlados.
Por isso, em vez de falar apenas em “cura”, os especialistas costumam utilizar o termo controle da doença, já que o acompanhamento médico permanece importante mesmo após o tratamento.
Quando tratada precocemente, a expectativa de vida pode se aproximar da da população geral.
A importância do diagnóstico precoce e da genética
Como os sintomas evoluem lentamente, muitas pessoas convivem com a acromegalia durante anos antes de receberem o diagnóstico.
Esse atraso pode favorecer o desenvolvimento de complicações como:
- Hipertensão arterial;
- Diabetes;
- Doenças cardiovasculares;
- Apneia obstrutiva do sono;
- Alterações articulares;
- Aumento do risco de alguns tumores, especialmente pólipos e câncer colorretal.
Por isso, reconhecer os sinais precocemente faz toda a diferença.
Além disso, embora a maioria dos casos não seja hereditária, pacientes diagnosticados ainda jovens ou com histórico familiar de tumores endócrinos podem ser encaminhados para avaliação genética.
O teste molecular ajuda a identificar síndromes hereditárias, orientar familiares e definir estratégias de acompanhamento mais individualizadas.
Esse é um exemplo de como a medicina de precisão contribui para um cuidado mais personalizado, considerando as características genéticas de cada paciente.
Perguntas frequentes sobre acromegalia (FAQ)
Acromegalia é câncer?
Não. Na maioria dos casos, a acromegalia é causada por um adenoma hipofisário, que é um tumor benigno. Apesar de não ser câncer, ele pode crescer e causar alterações hormonais importantes, exigindo tratamento especializado.
Acromegalia sempre causa gigantismo?
Não.
O gigantismo ocorre quando o excesso de hormônio do crescimento aparece ainda na infância ou adolescência, antes do fechamento das cartilagens de crescimento.
Já a acromegalia surge na vida adulta, quando os ossos já pararam de crescer em comprimento. Nesses casos, ocorre aumento das extremidades, da mandíbula, do nariz e de outros tecidos, mas não da altura.
Toda pessoa com acromegalia precisa fazer cirurgia?
Não.
Embora a cirurgia seja considerada o tratamento de primeira escolha para muitos pacientes, alguns casos podem ser tratados inicialmente com medicamentos ou necessitar de uma combinação entre cirurgia, terapia medicamentosa e radioterapia.
A escolha depende das características do tumor e da avaliação do endocrinologista e do neurocirurgião.