
A psoríase é uma doença inflamatória crônica e imunomediada que afeta principalmente a pele. Isso significa que alterações no funcionamento do sistema imunológico provocam inflamação e aceleram a renovação das células cutâneas, formando placas espessas e descamativas.
Embora seja frequentemente chamada de doença autoimune, o termo mais preciso utilizado nos protocolos médicos é doença imunomediada.
A psoríase não é contagiosa, pode aparecer em qualquer idade e costuma alternar períodos de melhora com fases de piora, conhecidas como crises ou exacerbações.
Além da pele, a condição pode atingir as unhas e as articulações. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento médico são importantes mesmo quando as lesões parecem leves.
O que é psoríase e o que causa?
A psoríase acontece quando o sistema imunológico se torna excessivamente ativo e libera substâncias inflamatórias que estimulam uma produção muito rápida das células da pele.
Em condições normais, essas células passam por um processo gradual de renovação. Na psoríase, o ciclo ocorre de maneira acelerada.
Como o organismo não consegue eliminar as células na mesma velocidade, elas se acumulam na superfície da pele e formam placas avermelhadas ou de tonalidade arroxeada, cobertas por escamas.
A causa exata dessa alteração imunológica ainda não é completamente conhecida. Sabe-se, porém, que a doença resulta da interação entre predisposição genética, resposta imunológica e fatores ambientais. Ter familiares com psoríase pode aumentar o risco, mas isso não significa que todas as pessoas com predisposição desenvolverão a condição.
Alguns fatores podem desencadear ou agravar uma crise:
- Estresse;
- Infecções, especialmente as causadas por estreptococos;
- Ferimentos, queimaduras ou irritações na pele;
- Clima frio e seco;
- Tabagismo;
- Consumo excessivo de álcool;
- Obesidade;
- Uso ou retirada inadequada de determinados medicamentos.
Esses gatilhos variam entre as pessoas. Identificá-los pode ajudar no controle da doença, mas não substitui o tratamento indicado pelo dermatologista.
A falta de higiene não é uma causa para a psoríase e o contato físico não atua como um meio de transmissão.
Quais partes do corpo a psoríase afeta?
A manifestação mais visível ocorre na pele, mas a psoríase pode envolver outras estruturas:
- Unhas: podem apresentar pequenos furos, manchas, espessamento, deformações ou descolamento;
- Articulações: algumas pessoas desenvolvem artrite psoriásica, com dor, inchaço e rigidez;
- Enteses: são os locais onde tendões e ligamentos se ligam aos ossos, como a região do calcanhar;
- Olhos: existe associação entre psoríase e uveíte, uma inflamação ocular que exige avaliação médica.
Considera-se a psoríase como uma condição de repercussão sistêmica. Contudo, isso não quer dizer que ela “ataque” diretamente todos os órgãos, mas pessoas com a doença, sobretudo nas formas moderadas ou graves, podem apresentar risco aumentado de outras condições, como obesidade, diabetes, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, doença inflamatória intestinal, ansiedade e depressão.
Dor, inchaço ou rigidez nas articulações (principalmente pela manhã) devem ser avaliados por um profissional de saúde. Sem tratamento adequado, a artrite psoriásica pode causar danos articulares permanentes.
Principais sintomas
Os sintomas da psoríase variam conforme o tipo da doença, a região afetada e a tonalidade da pele. Os sinais mais frequentes incluem:
- Placas avermelhadas, arroxeadas, acinzentadas ou mais escuras que a pele ao redor;
- Escamas esbranquiçadas ou prateadas;
- Pele seca e rachada, que pode sangrar;
- Coceira;
- Ardência ou sensação de queimação;
- Dor e sensibilidade;
- Lesões no couro cabeludo, joelhos, cotovelos, tronco, mãos ou pés;
- Alterações nas unhas;
- Dor, rigidez ou inchaço nas articulações.
Em peles claras, as placas costumam parecer vermelhas com escamas esbranquiçadas. Em peles negras e pardas, podem assumir tons violáceos, acinzentados ou castanhos. Após a melhora, algumas pessoas permanecem temporariamente com áreas mais claras ou escuras.
Os sintomas podem desaparecer por um período e retornar posteriormente. Essa melhora temporária é chamada de remissão e não significa necessariamente que a doença foi curada.
Veja quais são os tipos de psoríase
A psoríase pode se manifestar de diferentes maneiras. Uma mesma pessoa também pode apresentar mais de um tipo durante a vida.
Psoríase em placas ou vulgar
É a forma mais comum. Provoca placas elevadas, bem delimitadas e cobertas por escamas. As lesões aparecem frequentemente no couro cabeludo, cotovelos, joelhos, tronco e região lombar.
Psoríase gutata
Caracteriza-se por pequenas lesões em formato de gotas, geralmente espalhadas pelo tronco, braços ou pernas. É mais frequente em crianças e adultos jovens e pode surgir depois de uma infecção de garganta por estreptococos.
Psoríase invertida
Aparece principalmente nas dobras da pele, como axilas, virilha, região abaixo das mamas e ao redor dos órgãos genitais. As lesões costumam ser lisas, brilhantes e com pouca descamação. Atrito e suor podem piorá-las.
Psoríase pustulosa
Causa bolhas ou elevações preenchidas por pus não infeccioso, cercadas por pele inflamada. Pode ficar restrita às mãos e aos pés ou atingir áreas extensas do corpo.
Quando é generalizada, pode provocar febre, fraqueza e alterações no funcionamento do organismo, exigindo atendimento médico imediato.
Psoríase eritrodérmica
É uma forma rara e grave, na qual grande parte do corpo fica avermelhada, inflamada e descamativa. Pode causar dor intensa, coceira, alterações na temperatura corporal, desidratação e outros problemas sistêmicos.
A suspeita de psoríase eritrodérmica deve ser tratada como urgência médica.
Psoríase ungueal
Atinge as unhas das mãos ou dos pés. Pode causar pequenas depressões, manchas, engrossamento, deformidade, fragilidade e separação da unha em relação à pele.
Psoríase do couro cabeludo
Provoca placas e descamação no couro cabeludo, que podem ultrapassar a linha do cabelo. Em alguns casos, pode ser confundida com dermatite seborreica.
A classificação e as características de cada forma são descritas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e pelo NIAMS.
Qual é mais grave, dermatite ou psoríase?
Não é possível afirmar, de maneira geral, que a dermatite ou a psoríase seja sempre mais grave. A gravidade depende do tipo, da extensão das lesões, das áreas atingidas, da intensidade dos sintomas e do impacto na vida da pessoa.
“Dermatite” é um termo amplo usado para diferentes inflamações da pele, como dermatite atópica, de contato e seborreica. Algumas formas podem ser leves e passageiras, enquanto outras são crônicas e apresentam crises intensas.
A psoríase também varia bastante. Há pessoas com poucas placas, enquanto outras desenvolvem comprometimento extenso, artrite psoriásica ou formas potencialmente graves, como as variantes pustulosa generalizada e eritrodérmica.
As duas condições podem provocar vermelhidão, coceira e descamação, mas têm mecanismos e tratamentos diferentes. Por isso, não é recomendável tentar diferenciá-las apenas pela aparência ou utilizar medicamentos por conta própria.
Tratamento
A psoríase é uma doença crônica e, atualmente, não existe cura definitiva, mas pode ser controlada com tratamento adequado. Seu objetivo é diminuir a inflamação, reduzir as lesões, aliviar a coceira e a dor, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.
Em suma, a escolha depende do tipo de psoríase, da extensão das lesões, das áreas atingidas, da presença de artrite, das condições de saúde e da resposta aos tratamentos anteriores.
As principais opções incluem:
- Hidratantes e emolientes: ajudam a reduzir ressecamento, descamação, fissuras e coceira;
- Medicamentos tópicos: cremes, pomadas ou soluções aplicados diretamente sobre as lesões, como corticosteroides e derivados da vitamina D;
- Fototerapia: exposição controlada da pele à radiação ultravioleta em ambiente médico;
- Medicamentos sistêmicos: comprimidos ou outras medicações que atuam em diferentes partes do organismo;
- Medicamentos biológicos: agem sobre componentes específicos da resposta imunológica e podem ser indicados em casos moderados ou graves;
- Tratamento da artrite psoriásica: pode envolver acompanhamento conjunto com dermatologista e reumatologista.
A hidratação faz parte do cuidado contínuo, contudo, não substitui os medicamentos prescritos. Também é importante controlar possíveis gatilhos, manter um estilo de vida saudável e não interromper o tratamento por conta própria. A suspensão inadequada de alguns medicamentos pode provocar piora intensa ou efeito rebote.
O SUS dispõe de protocolo para diagnóstico e tratamento da doença, incluindo terapias tópicas, fototerapia e medicamentos sistêmicos conforme critérios clínicos.
Sequelas da psoríase
As placas de psoríase geralmente não deixam cicatrizes permanentes. Entretanto, coçar, arrancar escamas ou machucar repetidamente a região pode causar feridas, sangramentos, infecções secundárias e marcas.
Depois que a inflamação melhora, podem permanecer alterações temporárias na cor da pele, como manchas mais claras ou escuras. Elas tendem a ser mais perceptíveis em peles negras e pardas e podem levar algum tempo para desaparecer.
A principal complicação capaz de produzir sequela física permanente é a artrite psoriásica. Quando não tratada, a inflamação pode causar erosões, deformidades e perda da função das articulações.
A doença ainda pode afetar significativamente a autoestima, o sono, as relações sociais e a saúde emocional. Ansiedade, depressão ou isolamento também devem ser abordados durante o acompanhamento.
FAQ – Perguntas frequentes sobre psoríase
Psoríase ataca os ossos?
A psoríase não costuma atacar diretamente os ossos. Porém, algumas pessoas desenvolvem artrite psoriásica, que provoca inflamação nas articulações e nos pontos de ligação entre tendões, ligamentos e ossos.
Sem tratamento, essa inflamação pode danificar as articulações e, em casos mais avançados, atingir o tecido ósseo próximo. Dor, inchaço, rigidez matinal, dedos inchados ou dor persistente no calcanhar devem ser comunicados ao médico.
Comer ovo faz mal para psoríase?
Não existe recomendação oficial para retirar o ovo da alimentação de todas as pessoas com psoríase. O ovo pode fazer parte de uma dieta equilibrada e é citado pela Academia Americana de Dermatologia como uma fonte de proteína magra.
Só se considera a exclusão quando houver alergia, intolerância ou orientação individual de médico ou nutricionista. Dietas muito restritivas podem causar deficiências nutricionais e não devem substituir o tratamento. Academia Americana de Dermatologia.
Quem tem psoríase tem que hidratar a pele?
Sim. A hidratação regular ajuda a reduzir o ressecamento, a descamação, as rachaduras e a coceira. O PCDT da Psoríase do Ministério da Saúde inclui os emolientes entre as medidas de manutenção para a doença leve.
O produto deve ser adequado ao tipo de pele e, de preferência, indicado pelo dermatologista. Uma boa prática é aplicá-lo logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida.
Quem tem psoríase pode usar qualquer sabonete?
Não é aconselhável usar qualquer produto. Sabonetes muito perfumados, adstringentes, antibacterianos ou com substâncias irritantes podem ressecar a pele e piorar o desconforto.
Em geral, são preferíveis produtos suaves, sem fragrância e apropriados para peles sensíveis. Banhos muito quentes e demorados também devem ser evitados. Como a sensibilidade varia, a escolha pode ser orientada pelo dermatologista.
O que fazer quando a psoríase está muito atacada?
Em uma crise, mantenha a hidratação, evite coçar ou arrancar as escamas e utilize somente os medicamentos prescritos. Também é importante observar possíveis gatilhos, como infecções, estresse, ferimentos ou mudança recente de medicamentos.
Procure o dermatologista se as lesões aumentarem rapidamente, não responderem ao tratamento ou estiverem interferindo no sono e nas atividades diárias. Vá a um serviço de urgência se houver lesões extensas por todo o corpo, febre, calafrios, fraqueza, pus disseminado, dor intensa ou alterações na temperatura corporal.
Não interrompa corticosteroides ou outros medicamentos de forma repentina sem orientação profissional.
Por que a psoríase coça muito?
Por causa de inflamações e do ressecamento da pele, a coceira surge no paciente. A barreira cutânea fica alterada, tornando a região mais sensível e favorecendo a sensação de irritação, ardência ou coceira.
Coçar pode machucar a pele, aumentar a inflamação e favorecer o aparecimento de novas lesões em áreas traumatizadas.
Hidratar a pele, manter as unhas curtas, evitar banhos quentes e seguir o tratamento prescrito ajuda a controlar o sintoma. Se a coceira for intensa ou persistente, o médico poderá ajustar a terapia.