Tudo o que você precisa saber sobre Doenças Infecciosas

Algumas doenças infecciosas ainda são preocupações de saúde pública no Brasil. Foto: Pexles/Jibarofoto

As doenças infecciosas são uma das maiores preocupações globais quando falamos em saúde pública. Principalmente depois da pandemia do Covid-19, que teve um papel decisivo em reacender o alerta global sobre essas doenças em vários níveis científicos, políticos e sociais.

Apesar dos avanços da medicina, as doenças infecciosas continuam sendo um desafio global de saúde pública, pois podem se espalhar rapidamente e estão diretamente relacionadas a fatores como condições sanitárias, acesso à saúde, mudanças climáticas e mobilidade populacional.

Além disso, o surgimento de novos agentes infecciosos e o retorno de doenças antes controladas reforçam a importância da vigilância epidemiológica, da vacinação e de medidas de prevenção para reduzir o impacto dessas doenças na sociedade.

Nesse texto você entenderá um pouco mais sobre:
1. Como as doenças infecciosas são transmitidas e seus principais sintomas
2. As doenças infecciosas mais comuns no Brasil
3. Importância do estudo genética para combate dessas doenças

Como ocorre a transmissão das doenças infecciosas?

Em geral, as doenças infecciosas são causadas por microrganismos patogênicos, por exemplo, o vírus, as bactérias, os fungos ou os parasitas. Eles invadem o organismo, se multiplicam e podem provocar alterações no funcionamento do corpo.

Essa transmissão, pode ocorrer por meio do ar (como foi o caso do Covid-19), por contato direto com pessoas contaminadas, por águas ou alimentos contaminados ou por insetos vetores (como é o caso da Dengue, Chikungunya e Zika, através do mosquito Aedes aegypti.)

Sintomas das doenças infecciosas

Os sintomas das doenças infecciosas podem variar bastante dependendo do microrganismo e do órgão afetado, mas existem alguns sinais comuns que aparecem com frequência, justamente porque refletem a resposta do sistema imunológico à infecção.

Sintomas gerais mais comuns

  • Febre (um dos principais sinais de alerta)
  • Cansaço excessivo (fadiga)
  • Mal-estar geral
  • Dores no corpo (músculos e articulações)
  • Dor de cabeça
  • Calafrios

Sintomas respiratórios

  • Tosse
  • Falta de ar
  • Dor no peito
  • Coriza ou congestão nasal
  • Dor de garganta

Esses sintomas são muito comuns em doenças como COVID-19 e Tuberculose.

Sintomas gastrointestinais

  • Náuseas e vômitos
  • Diarreia
  • Dor abdominal
  • Perda de apetite

Podem aparecer em infecções por vírus, bactérias ou parasitas.

Sintomas específicos de algumas infecções

  • Manchas na pele (como na Dengue)
  • Ínguas (linfonodos aumentados), comuns em infecções virais
  • Secreções anormais
  • Perda de peso inexplicada, como pode ocorrer em HIV/AIDS

É importante lembrar que em algumas pessoas, os sintomas não ficam tão aparentes. Essas são consideradas “pacientes assintomáticos”. Nesses casos, essas pessoas ainda podem transmitir a doença, mesmo que não apresente sintomas graves.

Agora você já compreendeu o que é doença infecciosa, quais os seus sintomas e seu meio de transmissão. É fácil entender porque essas doenças ainda são um grande desafio de saúde pública no país e no mundo. Em resumo:

  • Elas podem se espalhar rapidamente,
  • Algumas das doenças infecciosas ainda não têm cura definitiva,
  • Novas doenças podem surgir a qualquer momento, como aconteceu com a COVID-19
  • As doenças infecciosas estão ligadas a fatores sociais, ambientais e econômicos

Quais são as doenças infecciosas comuns no Brasil?

No Brasil, as doenças infecciosas representam uma parte significativa da carga de morbidade e mortalidade no país. Entenda quais são as principais doenças infecciosas no Brasil:

Dengue

A dengue continua sendo uma das maiores preocupações da saúde pública no Brasil. Entre 2000 e 2024, o país registrou cerca de 24 milhões de casos, com 16 mil mortes devido à doença.

Ela faz parte do que chamamos de arboviroses, caracterizadas por serem causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes (mosquito). No caso da dengue, o vírus DENV é transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti.

Até o momento são conhecidos quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Cada uma apresenta distintos materiais genéticos (genótipos) e linhagens.

Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença. Porém, o paciente com doença crônica (por exemplo: diabetes, hipertensão, etc) têm mais risco de evoluir para complicações graves da dengue.

Zika

A Zika também é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti contaminado. Mas, a transmissão do vírus também pode ocorrer através do contato com pessoas contaminas, via: transfusão de sangue, relações sexuais ou da mãe para o feto durante a gravidez.

A infecção ficou bastante conhecida no Brasil, principalmente entre as mulheres grávidas em 2016. A epidemia resultou em uma série de complicações neurológicas para os filhos das mulheres com Zika, como a microcefalia congênita e a Síndrome de Guillan-Barré (SGB).

Tanto a Dengue quanto a Zika são transmitidas pelo mosquito mosquito Aedes aegypti. Foto: Pexels

Tuberculose

Apesar dos esforços de controle realizados pela Secretaria de Saúde ao longo dos últimos anos, a tuberculose ainda é uma doença incluída no rol de preocupações públicas de saúde no Brasil.

Em 2021, por exemplo, foram notificados mais de 68 mil novos casos da doença no país. Três anos depois, em 2024, o resgistro foi de aproximadamente 85 mil novos casos. Um aumento significativo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 10,7 milhões de pessoas no mundo em 2024 foram registradas com a doença, e aproximadamente 1,23 milhão vieram à óbito.

Embora a incidência global tenha diminuído 1,7% entre 2023 e 2024, retornando aos níveis pré-pandemia, a taxa de declínio ainda está muito abaixo das metas internacionais para a eliminação da doença.

HIV/Aids

O Brasil tem registro de aproximadamente 1,67 milhão de pessoas vivendo com HIV desde o início de 2025. O país, no entanto, mantém políticas de tratamento constante, apesar dos desafios com diagnóstico e prevenção.

Diferença HIV x AIDS: Ter HIV não significa necessariamente que o paciente tem AIDS. Com tratamento, a maioria das pessoas com HIV não desenvolvem AIDS (um estágio mais avançado da doença).

Hepatites Virais

Entre os tipos mais comuns estão as hepatites A, B e C, que representam um importante problema de saúde pública no Brasil.

A doença da hepatite pode se manifestar de forma aguda ou crônica. Em muitos casos, especialmente nas hepatites B e C, a infecção pode evoluir de forma silenciosa por anos, sem apresentar sintomas.

Leishmaniose

O Brasil é considerado um país endêmico para a Leishmaniose, conjunto de doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania e da família Trypanosomatidae.

Basicamente, a transmissão é feita através do mosquito, que se alimenta do sangue do animal contaminado, por exemplo, o rato, e transfere o parasita para o humano.

Existem diversas formas da doença, entre elas a visceral e a cutânea, com casos registrados em várias regiões do país.

Doenças infecciosas e a importância do sequenciamento genético

Você já deve ter ouvido alguma situação em que familiares são infectados por um mesmo agente de contaminação e tiveram reações diferentes.

Se pegarmos, por exemplo, o caso de Covid-19, conseguimos traçar perfis de pessoas que tiveram reações mais intensas da doença, enquanto  outras tiveram uma reação mais leve.

Cada indivíduo tem um código genético que carrega e produz moléculas de defesa diferenciadas, algumas pessoas têm moléculas mais potentes. O estudo genético se torna importante nesse quesito.

O sequenciamento genético permite aos profissionais desenhar um melhor tratamento e criar soluções mais eficazes para as doenças infecciosas. Por exemplo, criar vacinas e anticorpos que protejam melhor a população.

O Projeto Rede Genoma Nordeste estuda diversos grupos de doenças, não apenas as doenças raras.

Estamos constantemente atuando no desenvolvimento de novas ferramentas para vigilância, diagnóstico e controle de doenças infecciosas endêmicas e epidêmicas nos contextos regional e nacional, bem como para as doenças crônicas não transmissíveis.

Quais são as piores doenças infecciosas?

Não existe uma “pior” doença infecciosa. Isso pode variar em relação a taxa de mortalidade, a capacidade de transmissão, impacto social e capacidade de conter a proliferação da doença (geralmente associada ao conhecimento científico sobre a doença).

No entanto, claro que algumas doenças infecciosas se destacaram na história da humanidade:

Covid-19

A mais recente de todas as doenças infecciosas. Ela expôs de forma clara como o mundo ainda é altamente vulnerável a patógenos emergentes.

Mesmo com avanços da medicina, um vírus novo conseguiu se espalhar rapidamente em escala global, evidenciando a força de fenômenos como a globalização, viagens internacionais e alta densidade urbana.

Doenças infecciosas, que muitas vezes eram vistas como problemas do passado ou restritos a determinadas regiões, voltaram ao centro das preocupações globais.

A Organização Mundial da Saúde passou a receber ainda mais atenção, e muitos países revisaram seus sistemas de monitoramento de surtos, testagem e rastreamento de contato.

A pandemia também acelerou a ciência de forma sem precedentes. Tecnologias como vacinas de mRNA ganharam destaque e foram desenvolvidas em tempo recorde, mostrando que é possível responder rapidamente a novas ameaças.

Mas isso também evidenciou as desigualdades no acesso de medicamentos e vacinas entre países ricos e pobres.

Malária

Uma das doenças mais antigas da humanidade, com registros que remontam a milhares de anos em regiões da África e da Ásia.

Sua disseminação global ocorreu principalmente com as migrações humanas e, mais tarde, com a expansão marítima europeia a partir do século XV. Durante a colonização, o parasita foi levado para as Américas, e encontrou condições ideais de transmissão.

No século XX, campanhas intensivas feitas pelos governos locais reduziram a doença em várias regiões, mas ela nunca foi erradicada e segue endêmica em áreas tropicais, especialmente na África subsaariana.

HIV/Aids

A epidemia ganhou visibilidade global nos anos 1980, quando surgiram os primeiros casos de AIDS nos Estados Unidos.

A rápida disseminação internacional ocorreu devido a viagens, transfusões sanguíneas e falta de conhecimento inicial sobre o vírus. Desde então, tornou-se uma das pandemias mais marcantes da história recente, mobilizando esforços globais em prevenção, diagnóstico e tratamento.

Tuberculose

Também chamada de “peste branca”, a Tuberculose é uma doença infecciosa ficou conhecida no século XIX, quando tornou-se epidêmica na Europa e América do Norte, impulsionada pela urbanização, industrialização e más condições sanitárias.

Com o desenvolvimento de antibióticos, houve grande redução dos casos, mas a doença nunca desapareceu por completo. Hoje, voltou a ganhar força em alguns contextos, especialmente associada à pobreza e à coinfecção com HIV.

Ebola

Diferente das outras doenças infecciosas, a Ebola não é uma doença antiga amplamente disseminada, mas sim caracterizada por surtos localizados.

O maior deles ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental, com repercussão global. A origem também é provavelmente associada a morcegos. Sua alta letalidade e rápida progressão tornaram o Ebola um símbolo de alerta para emergências sanitárias internacionais.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica