O que causa a Doença de Pompe? Entenda mais sobre a síndrome

Você já ouviu falar no que é Doença de Pompe? Também chamada de glicogenose tipo II ou deficiência de maltase ácida, a Síndrome de Pompe é considerada uma doença genética rara, de caráter neuromuscular, progressivo, degenerativo e hereditário, que pode afetar pessoas de todas as idades.

As principais características da doença é a degeneração e fraqueza muscular, que progride gradualmente durante a vida do paciente diagnosticado com a doença.

A Doença de Pompe é considerada multissistêmica, ou seja, pode afetar vários órgãos e sistemas do organismo. E estima-se que ela acometa, em média, 1 a cada 40 mil nascidos vivos. Por isso a doença de Pompe é considerada uma doença rara.

Imagem ilustrativa

Entenda quais as causas da doença de Pompe

A síndrome de Pompe faz parte de um grupo de doenças relacionadas ao acúmulo de glicogênio, substância essencial para o armazenamento e liberação de glicose, fonte de energia para o corpo.

Para um fácil entendimento, o corpo utiliza uma enzima chamada de alfa-glicosidase ácida (GAA) para quebrar o glicogênio e transformá-lo em energia.

Na doença de Pompe, essa enzima é deficiente ou ausente. Sem ela, o glicogênio se acumula dentro das células, destruindo o tecido muscular e provocando uma série de alterações no organismo.

Basicamente, o principal problema não é falta de energia, mas sim acúmulo tóxico dentro da célula muscular. O glicogênio acumulado funciona como um “peso extra”, que acaba por enfraquecer e causar a destruição progressiva das fibras.

O quadro clínico da síndrome de Pompe pode variar bastante, dependendo da idade em que se manifesta, da velocidade de progressão e dos órgãos afetados.

Como a síndrome de pompe se manifesta

A forma mais grave e precoce da doença, conhecida como forma infantil clássica, costuma evoluir rapidamente e se caracteriza por cardiomegalia (aumento do coração), hepatomegalia (aumento do fígado) e, em alguns casos, envolvimento do sistema nervoso central (SNC).

Vale lembrar que a doença está relacionada ao sistema muscular esquelético com as seguintes manifestações: hipotonia, dificuldade na deglutição, fraqueza muscular, quedas frequentes, esquiva de atividades esportivas.

Atenção às manifestações respiratórias, pois o comprometimento do músculo diafragmático pode causar respiração curta, sono anormal e cefaleia matinal.

Conheça quais são os sintomas da doença de Pompe

Vamos falar sobre os sintomas da doença de Pompe? Como vimos, essa é uma condição genética rara, causada pelo acúmulo de glicogênio nas células que formam o músculo. Os sintomas para essa doença, então, pode variar dependendo do estado em que a doença foi descoberta. Se a doença já estava em fase aguda ou não.

Acredita-se que existam 2 tipos principais de doença de Pompe:

Quando os sintomas começam nos primeiros meses de vida

Geralmente identificada nos primeiros meses de vida do bebê, ela é causada pela deficiência completa ou
quase completa de a enzima GAA. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Atraso no desenvolvimento motor;
  • Dificuldade respiratória com infecções frequentes;
  • Distúrbios do sono;
  • Dificuldade de deglutição e alimentação;
  • Organomegalia (em outras palavras, aumento do fígado, baço e língua);
  • Cardiomegalia (ou seja, aumento do coração), podendo levar a falência cardíaca.

Quando detectada na juventude ou na vida adulta

Está mais relacionado a deficiência parcial da enzima GAA. A fraqueza muscular pode progredir para alterações graves respiratórias. Geralmente nesses casos, a cardiomiopadia não está envolvida. Alguns dos sintomas frequentes são:

  • Dificuldade para correr, subir escadas ou mesmo caminhar, mas isso depende do grau de avanço da Síndrome de Pompe;
  • Fadigas e dores musculares;
  • Fraqueza ou atrofia muscular;
  • Alterações respiratórias com infecções de repetição;
  • Apnéia noturna e, consequentemente, sonolência diurna e cefaleia matinal;
  • Dificuldade de deglutição e alimentação.

Doença de Pompe é hereditário?

Sim. A Síndrome de Pompe é uma doença hereditária autossômica recessiva. A criança desenvolve a doença quando herda duas cópias alteradas do gene GAA, uma de cada genitor.

Quando apenas um dos genes herdados tem a alteração enzimática, a criança não desenvolve a doença em si. O que acontece é que ela passa a ser “portadora” da mutação genética, podendo transmitir a doença de Pompe para seus descendentes.

O que é uma doença hereditária autossômica recessiva?

Qual a probabilidade de desenvolver a Síndrome de Pompe?

O risco de dois pais portadores transmitirem o gene não funcional e, portanto, terem um filho afetado é de 25% a cada gravidez.

O risco de ter um filho portador, como os pais, é de 50% a cada gravidez.

A chance de uma criança receber genes funcionais de ambos os pais é de 25%.

O risco é o mesmo para homens e mulheres. Perto de 600 variações diferentes do gene GAA foram identificadas em famílias com este distúrbio.

O grau de deficiência da enzima alfa-glicosidase ácida (GAA) é ditado pela natureza das variações em cada uma das 2 cópias do gene GAA (1 do pai com variação e 1 da mãe com variação) e seu efeito combinado.

Geralmente: quanto mais deficiência de GAA essas variantes causam, mais precoce é o início dos sintomas, mais rápida é a progressão da doença e maior é a gravidade clínica

A importância do aconselhamento genético

O aconselhamento genético no caso da Doença de Pompe funciona como uma ponte entre o diagnóstico molecular e as decisões práticas familiares. Importantes para:

  1. Entender o padrão da herança
  2. Calcula risco real de recorrência na família e se o casal pode vir a ter outros filhos com a doença de Pompe
  3. Identifica portadores assintomáticos na família, que porventura possam vir a ter filhos com a síndrome de Pompe
  4. Guiar o paciente para um tratamento mais preciso e eficiente

Doença de Pompe tem cura?

Não. A doença de Pompe não tem cura. Mas, quanto mais cedo é feito o diagnóstico, melhor para que não haja o desenvolvimento de sintomas que comprometem a qualidade de vida do paciente.

Em termos práticos, o diagnóstico da Doença de Pompe é considerado bem complexo. Embora esteja relacionado apenas com a alteração de uma enzima, os sintomas da síndrome podem levar a equipe médica a suspeitar de outras doenças, precisando descartar inúmeros diagnósticos antes de chegar à Doença de Pompe como resultado definitivo.

Qual exame detecta doença de Pompe?

O diagnóstico da síndrome de Pompe é feito por testes que avaliam a atividade da enzima GAA (alfa-glicosidase ácida) e por exames genéticos que identificam alterações no gene GAA.

A triagem neonatal pode detectar a doença logo nas primeiras semanas de vida. Por exemplo, a doença de Pompe é uma das mais de 340 doenças investigadas no Teste da Bochechinha.

Através do teste feito nos primeiros anos de vida do bebê, é possível identificar alterações genéticas que levem ao diagnóstico da doença, sem mesmo a criança apresentar quaisquer sintomas da síndrome de Pompe.

Técnicas mais avançadas, como o sequenciamento de nova geração (NGS), ajudam a identificar com ainda mais precisão as mutações no gene.

Quanto mais cedo o paciente recebe o diagnóstico e inicia o tratamento, maiores são as chances de manter uma boa qualidade de vida.

O tratamento da Síndrome de Pompe

A Terapia de Reposição Enzimática (TRE) permanece como o principal tratamento disponível no caso da doença de Pompe.

Quando iniciada precocemente, pode melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente, além de retardar a progressão da doença.

Além da TRE, o acompanhamento multidisciplinar é indispensável. Ele envolve profissionais das áreas respiratória, motora, cardiológica e nutricional, com o objetivo de prevenir complicações e preservar a função muscular pelo maior tempo possível.

Na prática clínica, esse cuidado inclui medidas como a prevenção de contraturas musculares, o fortalecimento funcional e a manutenção da mobilidade, frequentemente por meio da fisioterapia motora. Também é fundamental o monitoramento cardíaco regular e, nos casos mais avançados, a fisioterapia respiratória, que auxilia na manutenção da função pulmonar e na redução de complicações respiratórias.

Terapia de Reposição Enzimática

A terapia de reposição enzimática (TRE) na Doença de Pompe é um tratamento que tenta “substituir” a enzima que o corpo não consegue produzir adequadamente, ou seja a alfa-glicosidase ácida (GAA). Isso permite que o glicogênio acumulado dentro das células seja degradado.

A TRE consiste na administração intravenosa da enzima produzida em laboratório (recombinante), chamada de alfa-alglucosidase (rhGAA). Ela funciona como uma substituta.

Através dessa “troca” é possível reduzir o acúmulo de glicogênio no corpo, resultando na melhora da força muscular e estabilizando a progressão da doença. Isso, claro, aumenta a sobrevida do paciente, especialmente quando a terapia é iniciada precocemente.

Mas atenção para algumas limitações dessa terapia:

  • Nem toda enzima chega igualmente ao músculo;
  • Músculos já muito danificados não se recuperam completamente;
  • A resposta à terapia de reposição enzimática varia entre pacientes.

Por que alguns pacientes respondem melhor que outros à TRE?

A resposta à terapia de reposição enzimática (TRE) na Doença de Pompe varia bastante entre os pacientes porque ela depende de uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e do estágio de dano muscular no momento do início do tratamento.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica