Síndrome de Waardenburg: entenda como funciona a doença rara que causa heterocromia

Homem com cores dos olhos distintas
Heterocromia pode ser um dos sintomas da Síndrome de Waardenburg

A Síndrome de Waardenburg (SW) é uma condição genética rara que afeta a pigmentação
da pele, cabelos e olhos, podendo estar associada à perda auditiva congênita. Foi descrita
em 1951 pelo médico holandês Petrus Waardenburg.

Causas da Síndrome de Waardenburg

Decorre de mutações em genes responsáveis pelo desenvolvimento e migração das células
da crista neural, que originam os melanócitos (células produtoras de pigmento) e outras
estruturas. A herança costuma ser autossômica dominante, mas também pode surgir por mutações
espontâneas.

Principais sintomas da Síndrome de Waardenburg

Nem todos os portadores apresentam todos os sinais, mas alguns dos sintomas da Síndrome de Waardenburg são vistos entre os pacientes. Entre os mais comuns estão alterações de pigmentação, vistas através da poliose, heterocromia e manchas que tiram o pigmento da pele, como descrito abaixo:

● Mecha branca de cabelo (poliose) presente desde o nascimento.
● Olhos de cores diferentes (heterocromia) ou ambos em azul muito claro.
● Manchas despigmentadas na pele.

Outras características clínicas são encontradas entre os portadores da doença. São elas:

  • Perda auditiva sensorioneural congênita, que pode variar de moderada a profunda
  • Características faciais específicas, como nariz em sela ou raiz nasal alargada
  • Aumento da distância entre os olhos (distopia cantorum, em alguns subtipos).

Diagnóstico da doença

O diagnóstico se faz principalmente a partir da observação clínica das características típicas
da síndrome, como alterações de pigmentação, distopia cantorum e perda auditiva
congênita. A confirmação se obtém por meio de testes genéticos, que identificam
mutações específicas associadas à doença. Além disso, a avaliação auditiva é essencial
para detectar precocemente a perda de audição e indicar o tratamento adequado.

É importante ressaltar que não há cura definitiva para a doença, mas existem tratamentos que visam melhorar a qualidade de vida do portador. Assim, para casos de perda auditiva, aparelhos auditivos ou implante coclear são recomendados. Além disso, o acompanhamento oftalmológico e dermatológico auxilia no processo, assim como apoio psicológico e aconselhamento genético.

Expectativa de vida para quem tem Síndrome de Waardenburg

A expectativa de vida é dentro da normalidade. Dessa maneira, o principal impacto ocorre devido à perda auditiva congênita, que pode comprometer a comunicação e o desenvolvimento da fala se não
houver intervenção precoce.

A Síndrome de Waardenburg possui dois códigos CID. Dessa forma, quando se trata de distúrbios de pigmentação ligados ao albinismo, dentro da CID-10, é E70.3. Já quando se refere ao tipo 3 da Síndrome de Waardenburg, na CID-11, apresenta EC23.2Y.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica