Síndrome de Proteus: sintomas, origem e tratamento da doença

Crédito: Wohlgemuth

A Síndrome de Proteus é uma doença genética extremamente rara caracterizada pelo crescimento excessivo, desproporcional e progressivo de diferentes tecidos do corpo, incluindo ossos, pele, tecido adiposo, músculos e vasos sanguíneos.

Essa condição faz com que o crescimento ocorra de forma irregular e assimétrica, afetando apenas determinadas áreas do organismo infectado. Por essa razão, pessoas com a síndrome podem apresentar manifestações muito diferentes.

Origem do nome

O nome da síndrome tem como inspiração no deus grego Proteus, conhecido por sua capacidade de mudar de forma constantemente. Essa referência surgiu pois os sinais da doença são muito variados e podem se modificar ao longo do tempo. A Síndrome de Proteus tem seus primeiros registros datados em 1979, e posteriormente definida com mais precisão pelo médico Michael Cohen na década de 1980.

Síndrome de Proteus: Causas

A causa da síndrome se relaciona a uma mutação no gene AKT1, que desempenha um papel importante na regulação do crescimento e da divisão das células. Essa mutação ocorre de forma somática, ou seja, acontece após a fecundação e durante o desenvolvimento embrionário. Dessa maneira, nem todas as células do corpo apresentam alteração genética.

Esse fenômeno se chama mosaicismo, em que algumas células possuem a mutação e outras não. Isso explica por que o crescimento anormal ocorre apenas em certas regiões do corpo e não de maneira generalizada.

A Síndrome é hereditária?

Diferente de muitas outras doenças genéticas, a Síndrome de Proteus não costuma ser herdada dos pais. Na maioria dos casos, a mutação surge espontaneamente durante o desenvolvimento do embrião. A incidência é extremamente baixa, estimando-se que existam menos de mil casos descritos no mundo, o que torna essa condição uma das síndromes mais raras conhecidas.

De maneira geral, os bebês com Síndrome de Proteus nascem sem alterações evidentes, e os sinais começam a aparecer durante os primeiros anos de vida, normalmente entre 6 e 18 meses de idade. À medida que a criança cresce, algumas partes do corpo passam a se desenvolver de forma exagerada. Esse crescimento pode afetar ossos, pele, tecido gorduroso e vasos sanguíneos.

Sintomas da Síndrome de Proteus

Entre as manifestações clínicas mais comuns estão o crescimento excessivo de membros, como braços, pernas ou dedos, causando assimetria corporal. Algumas pessoas podem apresentar aumento desproporcional de mãos ou pés, além de deformidades ósseas que podem dificultar a mobilidade.

Também podem ocorrer alterações na pele, sendo a mais característica o chamado nevo cerebriforme do tecido conjuntivo, uma lesão espessa e enrugada que frequentemente aparece na planta dos pés.
Além disso, podem surgir:

  • tumores benignos;
  • acúmulo anormal de gordura (lipomas);
  • malformações vasculares e alterações na estrutura óssea, como escoliose ou crescimento irregular do crânio;
  • Em alguns casos, órgãos internos também podem ser afetados.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Síndrome de Proteus é desafiador. Isso se explica porque os sinais podem ser semelhantes aos de outras condições que também causam crescimento exagerado de tecidos. Por isso, a conclusão do diagnóstico toma como base critérios clínicos específicos, avaliando a presença de crescimento progressivo, distribuição assimétrica das alterações e características típicas da pele.

Exames de imagem, como radiografias, tomografia computadorizada e ressonância magnética podem avaliar a extensão das alterações nos ossos e tecidos internos. Por meio de teste genético, é possível estabelecer o diagnóstico para identificar a mutação no gene AKT1.

Entretanto, como a mutação ocorre em mosaico, muitas vezes é necessário analisar tecido da região afetada, pois o exame de sangue pode não detectar a alteração genética.

Síndrome de Proteus: tem cura?

Até o momento, não existe cura para a Síndrome de Proteus, e o tratamento se faz através do controle dos sintomas e das complicações. O acompanhamento geralmente envolve uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos especialistas em genética, ortopedia, dermatologia, cirurgia plástica, fisioterapia e outras áreas conforme a necessidade do paciente.

Tratamento e procedimentos cirúrgicos

O tratamento pode incluir procedimentos cirúrgicos para corrigir deformidades, reduzir o crescimento excessivo de tecidos ou melhorar a função de membros afetados. Também pode ser necessário o uso de órteses, fisioterapia ou acompanhamento ortopédico para ajudar na mobilidade e na qualidade de vida.

Uma das complicações mais importantes da Síndrome de Proteus é o aumento do risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar, devido às alterações vasculares presentes na doença. Por esse motivo, o acompanhamento médico regular é fundamental para identificar e tratar precocemente possíveis complicações.

Síndrome de Proteus: expectativa de vida

O prognóstico varia bastante entre os pacientes, dependendo da gravidade das manifestações e das regiões do corpo afetadas. Assim, algumas pessoas apresentam formas relativamente leves da doença e conseguem ter uma boa qualidade de vida com acompanhamento adequado. Em outros casos, porém, as deformidades podem ser mais graves e causar limitações físicas importantes.

Apesar de ser uma condição rara e complexa, os avanços na genética e na medicina têm contribuído para uma melhor compreensão da doença e para o desenvolvimento de novos tratamentos experimentais que atuam diretamente nas vias celulares relacionadas ao gene AKT1.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica