Síndrome de Alström: causas, sintomas e tratamento da doença ultrarrara

Pessoa com deficiência visual caminhando na rua; Síndrome de Alström pode causar problemas na visão
A Síndrome de Alström pode causar cegueira

A Síndrome de Alström é uma doença genética autossômica recessiva, considerada
ultrarrara,
causada por mutações no gene ALMS1 , responsável por proteínas envolvidas no funcionamento dos cílios celulares. Por ser uma ciliopatia, afeta múltiplos órgãos de forma progressiva, incluindo retina, ouvido interno, coração, fígado, rins e metabolismo energético.

A mutação provoca degeneração celular gradual, resultando em um quadro clínico variado e de início precoce, geralmente ainda na infância. Em muitos casos, o diagnóstico é tardio devido à diversidade dos sintomas e à semelhança com outras doenças metabólicas e sensoriais.

Sintomas da Síndrome de Alström

As primeiras manifestações costumam surgir no primeiro ano de vida, especialmente
relacionadas à visão. A retinopatia cone bastonete leva a fotofobia, nistagmo (oscilações repetidas e involuntárias nos olhos) e perda visual progressiva, geralmente evoluindo para cegueira na adolescência.

A audição também é comprometida, com perda auditiva neurossensorial que pode piorar com o tempo. Simultaneamente, outra característica precoce é o rápido ganho de peso, associado a hiperfagia e evolução para obesidade infantil. Alterações metabólicas são frequentes, incluindo resistência insulínica, diabetes mellitus tipo 2 de início juvenil , hipertrigliceridemia e esteatose hepática.

Síndrome de Alström pode causar problemas cardíacos

O comprometimento cardíaco representa uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente a miocardiopatia dilatada, que pode surgir nos primeiros meses de vida ou reaparecer na adolescência ou na fase adulta. Problemas hepáticos tornam se mais evidentes com a idade, evoluindo de esteatose para fibrose e cirrose.

O acometimento renal acontece de forma progressiva, com perda gradual da função renal, podendo culminar em doença renal crônica avançada. Além disso, muitos pacientes apresentam ainda baixa estatura, hipotireoidismo, hipogonadismo, dificuldade de aprendizagem e disfunções endócrinas adicionais.

Como diagnosticar a Síndrome de Alström?

O diagnóstico merece uma investigação mais profunda em casos de crianças e jovens com perda visual precoce associada a obesidade, resistência insulínica e sinais sistêmicos compatíveis. No entanto, a confirmação é feita por teste genético, identificando mutações bialélicas no gene ALMS1. Exames complementares incluem:

  • eletroretinografia (que normalmente mostra degeneração retiniana precoce);
  • audiometria;
  • ecocardiograma;
  • ressonância cardíaca;
  • avaliação renal, hepática e perfil metabólico.

Tratamento contra a Síndrome de Alström

O tratamento é sintomático e multidisciplinar, com foco em retardar a progressão das
lesões orgânicas. Não existe terapia curativa até o momento. O manejo da doença inclui controle rigoroso do peso e da resistência insulínica, tratamento do diabetes, correção de dislipidemias e acompanhamento oftalmológico e audiológico para reabilitação sensorial.

A miocardiopatia exige acompanhamento cardiológico regular e tratamento conforme diretrizes para insuficiência cardíaca. Dessa maneira, o comprometimento hepático e renal requer monitoramento contínuo, podendo haver necessidade de transplante em estágios avançados. Adicionalmente, o suporte educacional e neuropsicológico é importante devido às dificuldades cognitivas que podem estar presentes.

Qual a expectativa de vida para quem tem a doença?

O prognóstico da síndrome é variável e depende principalmente da gravidade da cardiopatia, da disfunção hepática e da progressão da doença renal crônica. A expectativa de vida é reduzida, contudo, o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado podem melhorar significativamente a qualidade de vida e diminuir complicações graves.

Por ser uma doença ultrarrara, muitos pacientes enfrentam atraso diagnóstico e dificuldades de acesso a cuidados especializados, tornando essencial a difusão de conhecimento entre profissionais de saúde.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica