
A mielopatia espástica é uma doença crônica da medula espinhal, com maior grau de incidência em mulheres e que pode afetar de maneira duradoura a mobilidade dos infectados.
No artigo dedicado a esta doença, serão abordados aspectos tais como:
- Mielopatia espástica associada ao HTLV-1
- Sintomas da Mielopatia espástica
- causas da Mielopatia espástica
- diagnóstico da Mielopatia espástica
- tratamento da Mielopatia espástica
- Mielopatia espástica tropical
O que é a Mielopatia espástica associada ao HTLV-1?
A mielopatia espástica associada ao HTLV-1, ou HAM/TSP, é uma doença crônica da medula espinhal, causada por uma resposta inflamatória ao vírus HTLV-1 – versão abreviada para “Human T-cell Lymphotropic Virus tipo 1”. A doença também pode ser chamada de Mielopatia Espástica Tropical.
O vírus HTLV-1 atinge principalmente células de defesa chamadas linfócitos T CD4⁺. Essas células infectadas vão parar na medula espinhal e, ao se acumularem ali, começam a liberar substâncias inflamatórias chamadas citocinas. Isso dá início a uma inflamação crônica no local. Essa inflamação acontece ao redor dos vasos da medula e ativa outras células do sistema nervoso
Pesquisas apontam que entre 2 e 3 % dos pacientes acometidos pela doença desenvolvem sintomas durante a vida, sendo predominantemente mulhere entre 30 e 50 anos.
Quais os sintomas da Mielopatia Espástica?
Devido a sua condição progressiva, a Mielopatia espástica causa rigidez e fraqueza nas pernas dos infectados ao longo dos anos. O termo “espástica” vem da espasticidade, que é uma condição neuromuscular caracterizada por rigidez muscular anormal, aumento exagerado dos reflexos (hiperreflexia) e resistência ao movimento passivo.
Isso acontece porque a inflamação (ou lesão) na medula espinhal afeta especialmente os tratos corticoespinhais, vias motoras responsáveis pela interação entre córtex cerebral e a medula e que atuam no controle dos movimentos voluntários dos músculos do corpo. Dessa forma, a comunicação entre o cérebro e os músculos fica comprometida, afetando os movimentos.
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Sintomas da Mielopatia espástica
Os sintomas da Mielopatia associada ao HTLV-1 afeta o indivíduo em diversos âmbitos:
Motor: aparecimento de rigidez progressiva, marcha espástica e fraqueza nas pernas.
Reflexos: hiperreflexia profunda, clônus (contração muscular não intencional e repetitiva) e sinal de Babinski (resposta “automática” do corpo humano a algum estímulo externo.).
Sensoriais: formigamento, perda de sensibilidade vibratória
Autonômicos: urgência urinária, bexiga neurogênica hiperreflexa.
Outros sintomas envolvem dor lombar ou torácica, tonturas e sintomas neurológicos sutis.
Como é feito o diagnóstico da Mielopatia espástica?
O diagnóstico geralmente é feito a partir da observação dos sinais típicos, como rigidez muscular (espasticidade) e reflexos exagerados (hiperreflexia), que indicam lesão nos neurônios motores superiores.
Em seguida, uma ressonância magnética pode mostrar perda de volume da medula (atrofia), especialmente na região torácica. Vale salientar que no início da doença, a Ressonância pode não indicar a doença.
Outros exames laboratoriais também auxiliam na conclusão do diagnóstico, como a sorologia e o PCR para detectar o vírus HTLV-1 no sangue e no líquor (líquido da medula).
Uma relação maior que 1 entre líquor e sangue ou PCR positivo no líquor confirma a infecção no sistema nervoso. Além disso, a presença elevada de substâncias inflamatórias como CXCL-10 e neopterina no líquor ajuda a confirmar o diagnóstico com alta precisão.
Tratamento para a Mielopatia espástica
Para tratar a doença, o médico responsável pode indicar métodos para o controle da inflamação através de corticosteroides, como a metilprednisolona, para reduzir a inflamação da medula. é importante ressaltar que outros medicamentos imunossupressores e tratamentos biológicos ainda estão em fase de pesquisa.
Quando se busca o controle da espasticidade, há também o uso de medicamentos como baclofeno, tizanidina e benzodiazepínicos, que contribuem na diminuição da rigidez muscular. Em casos específicos, pode-se aplicar toxina botulínica para aliviar áreas com espasticidade focal.
Em um outro estágio do tratamento da Mielopatia, o paciente passa por uma reabilitação através de sessões de fisioterapia constante. O uso de aparelhos de apoio (órteses ou bengalas) também pode ser aconselhado para manter a mobilidade e prevenir o enrijecimento dos músculos. Também são importantes orientações para o manejo da bexiga e intestinos, para melhorar a qualidade de vida.
De maneira geral, a Mielopatia espástica é uma doença que progride lentamente. Consequentemente, m, muitos pacientes conseguem andar por vários anos, mas cerca de metade precisa de ajuda para caminhar (como bengalas ou órteses) com o passar do tempo. O tratamento precoce da inflamação e o controle da espasticidade ajudam a atrasar a perda de função e manter a autonomia por mais tempo.