A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), também conhecida como doença de Stephen Hawking, é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios motores (células responsáveis por controlar os movimentos voluntários do corpo), como falar, andar, mastigar e respirar.
Ao longo do tempo, esses neurônios deixam de funcionar e morrem, levando à perda gradual da força muscular e da capacidade de realizar atividades básicas.
Apesar da progressão da doença, funções cognitivas geralmente permanecem preservadas na maioria dos casos.

O que é esclerose lateral amiotrófica?
A ELA é um tipo de doença neurológica rara e grave. O termo “esclerose lateral amiotrófica” pode ser entendido da seguinte forma:
- Esclerose: endurecimento ou cicatrização
- Lateral: região da medula espinhal afetada
- Amiotrófica: perda de massa muscular
Ela pertence ao grupo das doenças do neurônio motor e não deve ser confundida com outros tipos de esclerose, como a esclerose múltipla.
Sintomas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)
Os sintomas da ELA costumam surgir de forma gradual e piorar com o tempo. Os primeiros sinais podem variar de pessoa para pessoa.
Sintomas iniciais mais comuns:
- Fraqueza muscular (geralmente em mãos ou pernas)
- Dificuldade para segurar objetos
- Cãibras frequentes
- Fasciculações (pequenos tremores musculares)
- Dificuldade para falar (fala arrastada)
Sintomas em estágios mais avançados:
- Perda de mobilidade
- Dificuldade para engolir (disfagia)
- Alterações na fala (disartria)
- Insuficiência respiratória progressiva
Importante: a sensibilidade, audição, visão e, na maioria dos casos, a cognição permanecem preservadas.
Tipos de esclerose: qual as características de cada uma?
Embora o termo “esclerose” apareça em diferentes doenças, elas são distintas:
- Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): afeta neurônios motores
- Esclerose Múltipla (EM): doença autoimune que afeta o sistema nervoso central
- Esclerose sistêmica (esclerodermia): doença autoimune que afeta pele e órgãos internos
Ou seja, apesar do nome semelhante, são condições com causas, sintomas e tratamentos diferentes.
Qual a diferença entre ELA e Esclerose Múltipla?
Essa é uma dúvida comum. Apesar do nome semelhante, são doenças bem diferentes:
| Característica | ELA | Esclerose Múltipla |
|---|---|---|
| Tipo | Neurodegenerativa | Autoimune |
| Afeta | Neurônios motores | Mielina do sistema nervoso |
| Evolução | Progressiva e contínua | Pode ter surtos e remissões |
| Tratamento | Controle dos sintomas | Controle imunológico |
O que causa a esclerose lateral amiotrófica?
As causas da ELA ainda não são completamente compreendidas, mas estudos científicos indicam que ela pode estar associada a uma combinação de fatores:
- Alterações genéticas (em cerca de 5% a 10% dos casos, forma hereditária)
- Estresse oxidativo nas células nervosas
- Acúmulo de proteínas anormais nos neurônios
- Inflamação no sistema nervoso
- Fatores ambientais (ainda em investigação)
A maioria dos casos é esporádica, ou seja, ocorre sem histórico familiar.
Diagnóstico da ELA
O diagnóstico da Esclerose Lateral Amiotrófica é desafiador e não depende de um único exame.
Ele é feito com base em:
- Avaliação clínica detalhada
- Histórico do paciente
- Exame neurológico
- Exames complementares para excluir outras doenças
Exames utilizados:
- Eletroneuromiografia (ENMG) – avalia a atividade dos músculos
- Ressonância magnética – descarta outras causas
- Exames laboratoriais
- Testes genéticos (em casos específicos)
Critérios clínicos, como os Critérios de El Escorial, são amplamente utilizados para confirmar o diagnóstico.
Tratamento da esclerose lateral amiotrófica
Atualmente, a ELA não tem cura, mas existem tratamentos que ajudam a retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.
Tratamento medicamentoso:
- Riluzol (pode prolongar a sobrevida)
- Edaravona (em casos selecionados)
Abordagem multidisciplinar:
- Fisioterapia
- Fonoaudiologia
- Terapia ocupacional
- Suporte nutricional
- Acompanhamento psicológico
Cuidados respiratórios:
- Ventilação não invasiva
- Suporte em fases avançadas
O acompanhamento deve ser contínuo e feito por uma equipe especializada.
CID da Esclerose Lateral Amiotrófica
O código da ELA na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) é:
- G12.2 – Doença do neurônio motor
Esse código é utilizado para fins clínicos, administrativos e epidemiológicos.
O papel da pesquisa e da Rede Genoma Nordeste
Iniciativas científicas têm sido fundamentais para ampliar o conhecimento sobre doenças complexas como a ELA. Nesse contexto, a Rede Genoma Nordeste se destaca como uma importante articulação de pesquisa em saúde no Brasil.
A rede reúne instituições de referência, como a Fiocruz, universidades e centros de pesquisa, com foco no estudo genético de diversas doenças, incluindo condições neurológicas e raras.
Essas iniciativas contribuem significativamente para o avanço no diagnóstico precoce, permitindo identificar a doença em estágios iniciais, além de favorecer a identificação de marcadores genéticos importantes.
Também impulsionam o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas e fortalecem a medicina personalizada, tornando os tratamentos mais direcionados e eficazes para cada paciente.
Além disso, a atuação regional é essencial para compreender as características da população brasileira e reduzir desigualdades no acesso à saúde.
Expectativa de vida e evolução da doença
A progressão da ELA varia entre os pacientes, mas, em média:
- A sobrevida é de 3 a 5 anos após o diagnóstico
- Alguns pacientes podem viver mais tempo, especialmente com suporte adequado
Casos como o do físico Stephen Hawking mostram que a evolução pode ser bastante variável.
FAQ – Perguntas frequentes sobre ELA
1. A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) tem cura?
Não. Atualmente, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) não tem cura, mas o tratamento pode ajudar a retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.
2. A ELA é hereditária?
Na maioria dos casos, não. Apenas cerca de 5% a 10% são hereditários.
3. A ELA afeta a mente?
Geralmente não. A função cognitiva costuma ser preservada, embora alguns pacientes possam apresentar alterações.
4. Qual a diferença entre ELA e outras doenças neurológicas?
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) afeta especificamente os neurônios motores, enquanto outras doenças podem envolver diferentes partes do sistema nervoso e mecanismos distintos.