Como a Doença de Gaucher se manifesta?

A Doença de Gaucher é rara, uma doença metabólica de origem genética, com herança autossômica recessiva, causada pela deficiência da enzima beta-glicosidase ácida (glicocerebrosidase).

Essa enzima é responsável pela degradação dos glicoesfingolipídeos, e sua deficiência resulta no acúmulo de glicocerebrosídeos dentro dos lisossomos, isto é em macrófagos, que passam a ser denominados células de Gaucher.

O acúmulo dessas células ocorre a princípio no baço, fígado, medula óssea e, em alguns tipos, no sistema nervoso central, levando a manifestações clínicas progressivas.

Quais são os tipos da doença de Gaucher?

A fisiopatologia da doença está relacionada ao depósito lisossomal dessas substâncias, o que provoca aumento do volume dos órgãos afetados e disfunção tecidual.

Clinicamente, a Doença de Gaucher apresenta diferentes formas, sendo a mais comum a forma tipo 1, que não apresenta comprometimento neurológico e se manifesta com hepatoesplenomegalia, anemia, trombocitopenia, fadiga, dor óssea e fraturas recorrentes.

As formas tipo 2 da Doença de Gaucher é uma manifestação mais rara e não existe tratamento médico específico para ela. Ela tem um início precoce e evolução rápida, afeta principalmente crianças até os 2 anos de idade e pode levar a óbito.

O tipo 3 da Doença de Gaucher também ocorre na infância, mas ela apresenta uma progressão mais lenta se comparada ao tipo 2.

Em suma:

  • Tipo 1 (não neuropático)
  • Mais comum
  • Não afeta o sistema nervoso
  • Pode surgir na infância ou na vida adulta
  • Tipo 2 (neuropático agudo)
  • Forma grave
  • Início precoce (bebês)
  • Comprometimento neurológico severo
  • Tipo 3 (neuropático crônico)
  • Neurológico, porém evolução mais lenta
  • Pode chegar à idade adulta

Sintomas

Entenda quais são os sintomas da doença de Gaucher e como elas podem variar dependendo do tipo de manifestação apresentada pelo paciente.

Os sintomas do tipo 1 da doença (o mais comum de todos) varia bastante, sendo os principais sinais o aumento do baço e do fígado.

Em geral, podemos dizer que os sintomas apresentados são:

  • Aumento do fígado (hepatomegalia),
  • Aumento do baço (esplenomegalia),
  • Número de plaquetas abaixo do normal (trombocitopenia),
  • Anemia,
  • Cansaço e fraqueza corporal,
  • Alterações na formação dos ossos,
  • Fragilidade óssea.

Como a doença de Gaucher é herdada?

Primeiramente, é chamada de autossômica recessiva a condição rara herdada através de duas cópias alteradas do gene (uma de cada genitor).

Pessoas que têm apenas uma cópia alterada e uma cópia normal não desenvolvem a doença, elas são portadoras.

O que é uma doença hereditária autossômica recessiva?

Por que classificada como “autossômica”?

Porque o gene envolvido está localizado nos autossomos (cromossomos que não são sexuais).
Isso significa que a doença pode afetar homens e mulheres da mesma forma.

Por que “recessiva”?

Porque a alteração genética só se expressa quando está em dose dupla. Uma única cópia alterada não é suficiente para causar a doença.

A Doença de Gaucher tem cura?

Infelizmente, a doença não tem uma cura, porém um tratamento eficaz. Especialmente para o tipo 1 da doença. Com acompanhamento adequado, muitas pessoas levam uma vida ativa e com boa qualidade.

A dosagem da atividade da enzima glicocerebrosidase confirma a doença de Gaucher. Exames laboratoriais e de imagem auxiliam na avaliação das complicações hematológicas, ósseas e viscerais.

O tratamento baseia-se principalmente na terapia de reposição enzimática, que reduz o acúmulo dos substratos e melhora significativamente os sintomas viscerais e hematológicos, além do acompanhamento multidisciplinar para controle das manifestações ósseas e suporte clínico contínuo.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica