Alcaptonúria: entenda os sintomas e manifestações desta doença rara

Os sintomas mais comuns da alcaptonúria incluem artrite progressiva e aumento da incidência de cálculos renais
Os sintomas mais comuns da alcaptonúria incluem artrite progressiva e aumento da incidência de cálculos renais

A alcaptonúria é uma enfermidade genética rara, de padrão autossômico recessivo, ocasionada
pela deficiência da enzima homogentisato 1,2 dioxigenase (HGD).
O gene responsável pela sua
produção é expresso em diferentes órgãos, como fígado, rins, próstata, intestino delgado e cólon.

Essa enzima atua no metabolismo da tirosina, convertendo o ácido homogentísico (HGA) em malato e
acetoacetato.
Na ausência da HGD, o excesso de HGA produzido no fígado sofre oxidação,
originando polímeros pigmentados que se depositam nos tecidos, processo denominado ocronose.

História e grau de prevalência da alcaptonúria

A doença foi uma das primeiras condições humanas descritas como erro inato do metabolismo
e identificada de acordo com os princípios mendelianos de herança recessiva. Em 1908, Archibald
Garrod utilizou a alcaptonúria em suas palestras croonianas para ilustrar esses mecanismos genéticos.
A prevalência global estimada varia entre 1 caso a cada 100.000 a 250.000 pessoas.

Como se manifesta a alcaptonúria?

Na alcaptonúria, a ausência da enzima HGD impede a conversão do HGA em 4-maleilacetoacetato, elevando suas concentrações séricas em até 100 vezes. Esse excesso leva à formação de derivados poliméricos que se ligam à melanina e se acumulam no colágeno, desencadeando a deposição ocronótica em diferentes tecidos.

Tais depósitos resultam em alterações degenerativas, especialmente nas articulações, válvulas cardíacas e paredes vasculares.

Sintomas da alcaptonúria

Os sintomas mais comuns da alcaptonúria incluem artrite progressiva, aumento da incidência de cálculos renais, prostáticos e biliares, além de rupturas de músculos, tendões e ligamentos. A tríade clássica da doença é composta por sintomas tais como:

  • Neurológico: Neuropatia periférica, zumbido, diplopia e aumento na incidência de acidente vascular cerebral.
  • •Ocronose (depósito pigmentado nos tecidos);
  • Acidúria homogentísica;
  • Osteoartropatia ocronótica.

Outras características clínicas que se apresentam entre os pacientes acometidos pela doença são:

  • Pigmentação cinza na cartilagem da orelha ou na zona branca do olho e na córnea
  • Descoloração da pele;
  • Ossos e articulações: Dor lombar (anquilose), artrite que leva a derrames articulares;
  • Diminuição da mobilidade articular, comprometimento da mobilidade da coluna e do tórax;
  • Há também um aumento na prevalência de fraturas secundárias à osteopenia;
  • Reserva respiratória diminuída e doença pulmonar restritiva;
  • Doença cardíaca valvar, como estenose aórtica (mais comum), regurgitação aórtica, estenose da válvula mitral, arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca e aumento na incidência de doença arterial coronariana.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser orientado por sistemas de pontuação, como o AKUSSI (Alkaptonuria
Severity Score Index)
, que avalia o comprometimento clínico de forma multidisciplinar e validada. Além disso, exames laboratoriais também são fundamentais na confirmação do quadro clínico, como o de urina – que costuma apresentar mudança de cor.

Exames de imagem:

  • Tomografia e ressonância magnética para avaliar o comprometimento articular;
  • Ecocardiograma bidimensional para identificar lesões valvares;
  • Angiotomografia para investigar calcificação coronariana.

Complicações secundárias

  • Nefrolitíase e litíase prostática;
  • Colelitíase;
  • Cálculos em glândulas salivares;
  • Rupturas de tendões e ligamentos;
  • Osteopenia e fraturas;
  • Estenose e calcificação valvar aórtica;
  • Amiloidose.

Tratamento

Apesar de ser uma das primeiras doenças genéticas descritas, ainda não existe cura definitiva
para a alcaptonúria. O tratamento atual é de caráter paliativo e visa controlar sintomas e retardar
complicações, incluindo:

  • Controle da dor e fisioterapia: para preservação da mobilidade;
  • Cirurgias ortopédicas: em casos de artropatia avançada;
  • Vitamina C (ácido ascórbico): pode reduzir parcialmente a oxidação do HGA, embora não
    interfira em sua excreção urinária;
  • Dieta hipoproteica: proposta para diminuir a carga de tirosina, mas com eficácia limitada;
  • Nitisinona: inibidor da enzima 4-hidroxifenilpiruvato dioxigenase, capaz de reduzir em até
    95% as concentrações séricas e urinárias de HGA. Apesar disso, seu uso aumenta os níveis de
    tirosina, podendo ocasionar efeitos adversos como irritação corneana, leucopenia, trombocitopenia e porfiria.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica