Imunodeficiência Primária (IDP): o que é e como tratar a doença

Imunodeficiência Primária é uma doença rara
Imunodeficiência Primária é uma doença rara

A Imunodeficiência Primária (IDP), também conhecida como Erros Inatos da Imunidade (EII), compõem um conjunto de mais de 340 defeitos genéticos. Eles são associados à imunodeficiência e à desregulação do sistema imunológico que podem provocar diferentes tipos de infecções.

Devido à imaturidade imunológica, algumas infecções se tornam comuns em bebês em fase de amamentação e crianças pré-escolares que começam a frequentar a creche ou a escola. Como as causas dos erros inatos da imunidade são genéticas, o principal fator de risco é a história familiar de doenças autoimunes, infecções recorrentes ou casos de imunodeficiência.

Imunodeficiência Primária: tem como prevenir?

Atualmente, não há formas conhecidas de prevenção para essas doenças, por isso, é essencial estar atento aos sinais de alerta, especialmente nos primeiros anos de vida da criança.

Quais são as doenças relacionadas a Imunodeficiência Primária?

Existem vários tipos de doenças associadas a Erros Inatos da Imunidade.

As mais comuns são:
● Síndrome de DiGeorge
● Agamaglobulinemia congênita
● Hipogamaglobulinemia transitória da infância
● Deficiência das subclasses de imunoglobulina IgG (IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4)
● Deficiência seletiva de imunoglobulina do tipo IgA
● Síndrome hiper-IgM.
● Imunodeficiência combinada grave (SCID)

Sintomas da Imunodeficiência Primária

Os principais sintomas da imunodeficiência são as infecções de repetição, como:

● Duas ou mais pneumonias no último ano
● Estomatites recorrentes ou monilíase oral persistente (sapinho) por mais de dois meses
● Abscessos de repetição na pele ou presença de ectima (úlceras com crostas purulentas)
● Um episódio de infecção sistêmica grave (ex.: meningite, osteomielite ou septicemia)
● Asma grave e de difícil controle
● Doenças autoimunes, como lúpus ou artrite reumatoide juvenil
● Reações adversas à vacina BCG
● Infecções por microbactérias não tuberculosas

Como é feito o diagnóstico da doença

O diagnóstico das IDPs baseia-se em uma avaliação clínica detalhada, incluindo histórico familiar, exame físico e exames laboratoriais. Exames de sangue simples podem levantar suspeitas, porém, em muitos casos, são necessários estudos genéticos e testes imunológicos mais específicos.

A detecção precoce é fundamental e pode ser feita por meio de triagem neonatal ampliada, que inclui testes como:
● Teste do Pezinho Ampliado – não identifica diretamente os erros inatos da imunidade, mas pode revelar alterações metabólicas associadas.
● Teste da Bochechinha – exame genético que pode detectar precocemente mutações relacionadas a SCID, AGAMA e outras imunodeficiências.

O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes do surgimento de infecções graves, portanto, melhora significativamente o prognóstico.

Imunodeficiência Primária tem cura?

O tratamento das imunodeficiências primárias depende do tipo específico da doença e da gravidade do quadro clínico. Dessa maneira, as principais abordagens incluem o uso contínuo ou profilático de antibióticos para prevenir infecções. Contudo, vale reforçar que existem outros meios de inibir a ação dessa doença:

● Reposição de imunoglobulina, por via intravenosa ou subcutânea
● Imunobiológicos específicos, dependendo do defeito imunológico
● Terapia gênica, em casos selecionados com mutações conhecidas e tratáveis
● Transplante de medula óssea (células-tronco hematopoiéticas), indicado para formas graves como a SCID
● Reposição enzimática, quando aplicável

As imunodeficiências primárias são doenças raras

O objetivo do tratamento é prevenir infecções, modular a resposta imunológica do paciente e, quando possível, corrigir o defeito genético.

As imunodeficiências primárias são doenças raras, mas tratáveis. Sendo assim, o diagnóstico precoce e o acompanhamento com profissionais especializados são essenciais para garantir qualidade de vida aos pacientes. Pais, cuidadores e profissionais da saúde devem estar atentos aos sinais de alerta para garantir uma intervenção rápida e eficaz.

CID da Imunodeficiência Primária

Dentro da classificação no Código Internacional de Doenças (CID), as imunodeficiências primárias são incluídas entre o CID-10 D80-D-89. Essa categorização que engloba vários transtornos do sistema imunológico. Dessa, forma, o código depende especificamente do tipo da deficiência que está sendo tratada.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica