Pele borboleta: saiba sobre a doença rara Epidermólise Bolhosa

A Epidermólise Bolhosa (EB) é um grupo de doenças genéticas raras e hereditárias que tornam a pele e as mucosas extremamente frágeis. Ela pode aparecer já nos primeiros dias de vida e até pequenos atritos, calor ou traumas são suficientes para provocar bolhas, feridas dolorosas e cicatrizes na pele.

Devido a essa delicadeza dessa condição, muitas crianças que nascem com epidermólise bolhosa são chamadas de “crianças borboleta”, essa é uma metáfora para a condição da pele do paciente, que é tão sensível quanto as asas de uma borboleta.

A Epidermólise Bolhosa pode afetar tanto homens quanto mulheres e pode se apresentar em qualquer fase da vida, não fazendo distinção de etnias.

O que pode causar dermatite bolhosa?

Por ser uma doença hereditária rara, o que causa a epidermólise bolhosa são mutações nos genes responsáveis por produzir proteínas que unem as camadas da pele (epiderme e derme).

Mais especificamente são proteínas do tipo Colágeno VII, Laminina-332 e Queratina 5 e 14, que funcionam como uma “cola” entre a camada da pele. Assim, a ausência dela faz com que a adesão celular seja comprometida, resultando em separação tecidual e formação de bolhas após pequenos traumas.

Entenda!

A pele possui três camadas:
1. Epiderme: camada superficial, formada por queratinócitos
2. Membrana Basal: zona de ancoragem entre a epiderme e derme
3. Derme: camada mais profunda, rica em colágeno e fibras elásticas

Vale lembrar que existem mais de 30 tipos de epidermólise bolhosa, mas os tipos principais são:

Tipo de EBCamada afetadaPrincipais genes mutadosProteínas afetadasFunção perdida
EB Simples (EBS)Epiderme (intraepidérmica)KRT5, KRT14, PLEC, DSPQueratina 5 e 14, Plectina, DesmoplacinaPerda da integridade entre queratinócitos
EB Juncional (JEB)Junção derme-epiderme (lâmina lúcida)LAMA3, LAMB3, LAMC2, COL17A1, ITGA6, ITGB4Laminina-332, Colágeno XVII, Integrinas α6β4Falha na adesão entre epiderme e membrana basal
EB Distrófica (DEB)Abaixo da membrana basal (derme superior)COL7A1Colágeno tipo VIIDefeito nas fibrilas de ancoragem entre derme e epiderme
EB KindlerMultinível (epiderme e derme)FERMT1Kindlina-1Alteração generalizada na adesão e migração celular

Principais sintomas da doença rara

  • Formação de bolhas frequentes na pele e nas mucosas
  • Feridas dolorosas e de difícil cicatrização
  • Cicatrizes que podem limitar movimentos e causar deformidades
  • Alterações nas unhas, dentes e cabelos
  • Dificuldade para se alimentar, quando há bolhas na boca, garganta ou esôfago
  • Maior risco de infecções devido às feridas abertas
Sintomas da epidermólise bolhosa

A epidermólise bolhosa é transmissível?

A Epidermólise Bolhosa é uma doença de pele que não é considerada contagiosa, ela tem caráter genético e hereditário.

Infelizmente, por ser uma doença aparente e causar inflamações e feridas na pele, pacientes com a doença muitas vezes sofrem traumas e exclusão social por ter a doença. O pouco conhecimento acerca da doença rara leva muitas pessoas a tratarem os pacientes como “contagiosos”.

Lidar com a doença pode ser emocionalmente desafiador e desgastante nesse quesito, por isso é tão importante que haja uma rede de apoio para esses pacientes não se sentirem isolados na sua luta.

O que acontece com as mãos de quem tem epidermólise bolhosa?

Em pessoas com EB, especialmente nas formas mais graves, como a Epidermólise Bolhosa Distrófica Recessiva (DEB-R), as mãos sofrem alterações progressivas devido à formação repetida de bolhas, feridas e cicatrizes desde a infância.

Essas lesões afetam não só a pele, mas também as estruturas profundas. Com o tempo, causam deformidades características, conhecidas como “mãos em luva” ou “mãos em mitene”.

Cada vez que essas feridas cicatrizam, formam-se tecidos de fibrose (cicatriz rígida) que encurtam a pele e os tendões. Essas cicatrizes fazem a pele entre os dedos se juntarem, resultando na perda da separação entre eles.

Com o tempo, é possível que os dedos fiquem encurvados e retraídos, impactando de certa forma o cotidiano do paciente, trazendo dificuldade para realizar tarefas simples, além da presença da dor e do risco de infecção.

Qual a expectativa de vida de uma pessoa com epidermólise bolhosa?

Atualmente, não há cura para a Epidermólise Bolhosa. No entanto, pesquisas buscam novas opções, como terapias gênicas e tratamentos avançados.

Enquanto isso, o foco está no cuidado diário, que faz toda a diferença para a qualidade de vida do paciente. Portanto, é importante lembrar que o diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para garantir qualidade de vida ao paciente.

O manejo da Epidermólise Bolhosa exige uma abordagem ampla, envolvendo profissionais:

  • Dermatologia e enfermagem: orientação sobre curativos, prevenção de infecções e controle da dor
  • Fisioterapia: prevenção de retrações, manutenção da mobilidade e melhora da autonomia
  • Odontologia: cuidados com a saúde bucal, prevenção de cáries e manejo de lesões orais
  • Nutrição: suporte alimentar diante das dificuldades para engolir e absorver nutrientes
  • Psicologia: apoio emocional ao paciente e à família, considerando o impacto físico e social da doença

Essa abordagem integrada é essencial para reduzir complicações e proporcionar mais conforto e dignidade.

Qual a importância do teste genético?

É através do teste genético que é possível trazer um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz para a doença rara. A identificação precisa do gene mutado permite que haja para o paciente um aconselhamento genético, além de orientações para terapias direcionadas e personalizadas.

Falar sobre teste genético não se restringe apenas ao paciente com epidermólise bolhosa, mas também à conjuntura familiar. Sendo possível identificar outros familiares com a predisposição para a doença e até mesmo futuros filhos que possam a vir desenvolvê-la.

Portanto, quanto antes o diagnóstico é feito e o tratamento iniciado, melhor qualidade de vida é proporcionada ao paciente.

Precisamos falar sobre e Epidermólise Bolhosa!

Apesar de rara, a Epidermólise Bolhosa tem grande impacto na vida dos pacientes e de suas famílias. A falta de informação dificulta o diagnóstico precoce, o acesso a insumos e o apoio social.

Conscientizar é dar visibilidade, acolher e fortalecer essa rede de cuidado. Compartilhar conhecimento é quebrar o silêncio sobre as doenças raras e ampliar a empatia.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica