Esclerose Múltipla: o que é, sintomas, causas, diagnóstico, tratamento e CID

A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica que afeta o sistema nervoso central, especialmente o cérebro e a medula espinhal. Ela acontece quando o sistema imunológico passa a atacar a mielina, substância que protege os nervos e ajuda na transmissão dos impulsos nervosos.

Esse processo inflamatório pode causar sintomas variados, surtos e, em alguns casos, progressão da incapacidade ao longo do tempo.

Embora muita gente procure saber se esclerose múltipla é grave, a resposta depende da forma de evolução da doença, da rapidez do diagnóstico e do início do tratamento.

A esclerose múltipla não tem cura no momento, mas existem terapias que ajudam a reduzir surtos, retardar a progressão e controlar sintomas, permitindo que muitas pessoas com esclerose múltipla mantenham qualidade de vida e rotina ativa por muitos anos.

Esclerose Múltipla (Imagem: Reprodução Web)

O que é esclerose múltipla?

Para entender o que é esclerose, é importante saber que “esclerose” é um termo amplo, usado em diferentes doenças.

Já a esclerose múltipla é uma condição autoimune, inflamatória, desmielinizante e neurodegenerativa do sistema nervoso central.

Na prática, isso significa que o organismo agride estruturas nervosas importantes, prejudicando a comunicação entre cérebro, medula e corpo.

A doença costuma acometer principalmente adultos jovens. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, a esclerose múltipla afeta usualmente pessoas entre 18 e 55 anos; no resumo do P.C.D.T, aparece com maior frequência entre 20 e 50 anos, com pico por volta dos 30 anos, sendo mais comum em mulheres.

Por isso, quando alguém pesquisa sobre esclerose múltipla idade, essa é a faixa etária mais frequentemente observada.

Também existem diferentes formas de apresentação clínica. Entre os tipos de esclerose múltipla, os principais são a remitente-recorrente, a secundariamente progressiva e a primariamente progressiva.

A forma remitente-recorrente é a mais comum no início da doença, marcada por surtos e períodos de melhora.

O que causa a esclerose múltipla?

Ainda não se sabe exatamente o que causa a esclerose múltipla. As fontes oficiais e sociedades científicas apontam que a doença tem origem multifatorial, envolvendo interação entre predisposição genética e fatores ambientais. Em outras palavras, não existe uma causa única ou um gatilho universal.

Entre os fatores mais estudados estão alterações da resposta imunológica, histórico familiar, infecções virais, deficiência de vitamina D, tabagismo e outros elementos ambientais.

Isso não significa que qualquer pessoa exposta a esses fatores desenvolverá EM, mas que eles podem aumentar o risco em pessoas predispostas.

Por ser uma doença autoimune, a esclerose múltipla faz parte de um grupo de condições em que o organismo perde a capacidade de reconhecer corretamente o que é “próprio” e passa a atacar tecidos saudáveis.

Leia também: Quais são os gatilhos para desenvolver uma doença autoimune?

Quais os sintomas?

Os esclerose múltipla sintomas podem variar bastante de uma pessoa para outra. Isso acontece porque as lesões podem surgir em áreas diferentes do sistema nervoso central.

Em alguns casos, os sintomas aparecem em surtos e melhoram parcialmente ou totalmente; em outros, evoluem de forma mais contínua.

Entre os sintomas mais comuns da esclerose múltipla estão:

  • Fadiga intensa
  • Visão embaçada
  • Dor ocular
  • Neurite óptica
  • Formigamento
  • Dormência
  • Fraqueza muscular
  • Alterações sensitivas
  • Dificuldade de equilíbrio
  • Tontura
  • Falta de coordenação
  • Espasticidade
  • Dores neuropáticas
  • Alterações urinárias

Também podem ocorrer dificuldades cognitivas, como problemas de memória, atenção e concentração.

É importante destacar que esses sinais não confirmam sozinhos a doença. Muitos deles podem estar presentes em outras condições neurológicas, metabólicas ou inflamatórias.

Por isso, qualquer suspeita deve ser avaliada por médico, preferencialmente neurologista, para investigação adequada.

Tipos de esclerose múltipla

Os principais tipos de esclerose múltipla são:

Esclerose múltipla remitente-recorrente: é a forma mais comum no início. A pessoa apresenta surtos, com piora dos sintomas, seguidos de remissão parcial ou total.

Esclerose múltipla secundariamente progressiva: pode surgir após anos de forma remitente-recorrente e se caracteriza por piora gradual da incapacidade, com ou sem surtos superpostos.

Esclerose múltipla primariamente progressiva: desde o começo, os sintomas evoluem de forma lenta e contínua, sem períodos claros de remissão. É menos comum que a forma remitente-recorrente.

Diagnóstico de esclerose múltipla

O diagnóstico de esclerose múltipla é complexo e não depende de um único exame. Não existe um teste isolado que confirme a doença em todos os casos.

O diagnóstico é feito a partir da história clínica, exame neurológico e critérios diagnósticos específicos, especialmente os Critérios de McDonald, adotados pelo Ministério da Saúde e pela comunidade científica.

Quando o paciente procura por exame para esclerose múltipla, é importante explicar que a ressonância magnética do encéfalo e, em alguns casos, da medula, costuma ter papel central na investigação.

Além disso, o neurologista pode solicitar exames laboratoriais para excluir outras doenças, punção lombar para análise do líquor em situações específicas e testes como potencial evocado visual quando há dúvida sobre acometimento do nervo óptico.

Ou seja, mais do que “um exame que detecta”, o diagnóstico costuma ser uma combinação de achados clínicos e exames complementares.

Esse cuidado é essencial porque a esclerose múltipla é considerada um diagnóstico de exclusão em muitos contextos, exigindo diferenciação de outras causas de sintomas neurológicos.

Nesse cenário, iniciativas como a Rede Genoma Nordeste têm papel fundamental ao fortalecer a pesquisa científica e o uso de dados genéticos na saúde pública.

Projetos como esse contribuem para o avanço do conhecimento sobre doenças complexas, como a esclerose múltipla, ampliando possibilidades de diagnóstico mais preciso, monitoramento e desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas no Brasil.

CID da doença

O CID da esclerose múltipla na Classificação Internacional de Doenças usada pelo SUS no PCDT é CID-10 G35.

FAQ sobre esclerose múltipla

1. Esclerose múltipla tem cura?

Não. Esclerose múltipla não tem cura até o momento. As principais referências em saúde são consistentes ao afirmar que a EM ainda não possui cura definitiva.

Mesmo assim, isso não significa ausência de tratamento. Hoje existem terapias modificadoras da doença, uso de corticosteroides em surtos, reabilitação e medicamentos para controle de sintomas como dor, espasticidade, fadiga e alterações urinárias.

2. Esclerose múltipla é hereditária?

A esclerose múltipla não é considerada uma doença hereditária simples, passada de forma direta como acontece em algumas doenças genéticas monogênicas. No entanto, existe influência genética no risco de desenvolvimento, especialmente quando combinada a fatores ambientais e imunológicos.

3. Qual a idade mais comum para aparecer esclerose múltipla?

A doença costuma surgir mais frequentemente em adultos jovens. As referências do Ministério da Saúde apontam maior ocorrência entre 18 e 55 anos, com pico por volta dos 30 anos.

4. Toda pessoa com esclerose múltipla vai perder os movimentos?

Não. A evolução varia muito entre os pacientes. Algumas pessoas têm surtos espaçados e boa resposta ao tratamento, enquanto outras podem apresentar progressão maior da incapacidade. O diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado ajudam a melhorar o prognóstico.

5. Quem tem esclerose múltipla pode ter uma vida ativa?

Em muitos casos, sim. Com tratamento, reabilitação, adaptação da rotina e acompanhamento multiprofissional, muitas pessoas com esclerose múltipla estudam, trabalham, praticam exercícios e mantêm autonomia por muitos anos.

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O que é o Câncer?

Câncer é um tumor com crescimento descontrolado e invasivo. Ou seja, todo câncer é um tumor, mas nem todo tumor é um câncer.

O que é o Tumor?

Tumor se refere a uma “massa” de crescimento anormal em parte do corpo. Compreende-se isso como algo maligno ou benigno.

Por que eu deveria considerar o teste genético para meu filho(a) ou para mim?

As doenças raras genéticas são herdadas dos pais para os filhos. Algumas alterações são herdadas apenas de um dos pais (doenças dominantes) e outras precisam ser herdadas de ambos pais (doenças recessivas). Assim, é importantíssimo saber como a hereditariedade contribui para a ocorrência das doenças em investigação e o risco de recorrência destas doenças em outros filhos.

Como acontece o diagnóstico de doenças genéticas?

O exame genético é solicitado por algum médico ou aconselhador genético. Os testes são feitos a partir do sangue (igual os de exames de rotina) e a amostra é enviada para o laboratório qualificado.

O teste genético tem sido solicitado para confirmar erros genéticos para doenças raras que já tem tratamento medicamentoso ou de cuidado com foco na qualidade de vida. Mas, a solicitação do teste tem crescido para doenças recorrentes em famílias ou sob investigação científicas.

O exame é realizado através do sequenciamento do DNA, com a técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), que é capaz de analisar com precisão e exatidão as sequências e identificar alterações (mutações), se houver.

A interpretação das variantes geneticas (alteracões DNA) leva em consideração os sintomas (fenotipos) que os pacientes apresentam e o conhecimento já estabelecido, pois nem toda variante encontrada está associada a doenças (patogênica). Algumas variantes (benignas) são normais e expressão apenas a nossa diversidade genética.

O exame pode demorar algum tempo até ficar pronto, semanas ou meses, depende do tipo de exame.

O que é o DNA?

DNA é uma molécula que carrega as informações genéticas que estão em todas as células do corpo humano e que são transmitidas dos pais para os filhos. Essas moléculas possuem sequências exatas e se houver alteração em alguma sequência (mutação) específica, existe a possibilidade do desenvolvimento de doenças genéticas.

O que é teste genético?

O teste genético é um exame laboratorial realizado a partir de sangue do paciente , com o objetivo de analisar o DNA do indivíduo e buscar alterações (mutações) que possam ser a causa da doença (doença monogênica) ou estar contribuindo para o desenvolvimento de doenças complexas (de múltiplas causas) cardíaca, neurológica, hematológica, oncológica